A doença de Paget, também chamada de osteíte deformante, garante a aposentadoria desde que fique comprovada a incapacidade total e permanente para o trabalho.
Essa doença afeta os ossos, causa dores, deformidades e pode limitar muito a rotina de quem convive com ela. Em muitos casos, trabalhar como antes se torna impossível.
É justamente aí que entra a Previdência Social e os benefícios do INSS, incluindo a aposentadoria por invalidez, atualmente chamada de aposentadoria por incapacidade permanente.
No texto de hoje, eu vou te explicar quando é possível ter direito a esse benefício, como solicitá-lo e o que você precisa fazer para não se perder no meio do processo.
Ao final da leitura, você vai entender se a sua situação se encaixa em aposentadoria por invalidez ou em outro benefício, quais documentos realmente fazem diferença e qual é o próximo passo para resolver isso com segurança.
Vamos juntos?
Conteúdo:
ToggleO que é a doença de Paget ou osteíte deformante?
A doença de Paget é uma alteração óssea crônica que afeta o processo natural de renovação dos ossos. Em vez de se formarem de maneira equilibrada, os ossos passam por uma renovação desorganizada, ficando maiores, mais frágeis e deformados.
Essa condição atinge com mais frequência a coluna, o quadril, o crânio, as pernas e a pelve. Como resultado, surgem dores persistentes, dificuldade de locomoção e risco maior de fraturas, mesmo em situações simples do dia a dia.
O impacto no trabalho depende da gravidade da doença e das áreas afetadas. Quem exerce atividades que exigem esforço físico, longos períodos em pé ou movimentos repetitivos costuma sentir as limitações mais cedo.
Quais são os estados avançados da doença de Paget?
Nos estágios mais avançados, os sintomas, como dores ósseas constantes, se intensificam e passam a interferir diretamente na autonomia e na capacidade de trabalho.
É nesse ponto que muitos segurados começam a pensar em benefícios do INSS.
Entre os principais sinais da doença em fase avançada, estão:
- Deformidades visíveis nos ossos;
- Aumento do risco de fraturas;
- Dificuldade para andar ou permanecer em pé;
- Compressão de nervos, causando dormência ou fraqueza;
- Perda de audição quando o crânio é afetado;
- Limitação de movimentos da coluna e das articulações.
Quando esses sinais aparecem de forma contínua, a doença deixa de ser apenas um diagnóstico médico e passa a afetar diretamente sua independência e sua renda.
Nesse cenário, avaliar o direito a benefícios do INSS não é exagero, é um passo inteligente para proteger sua saúde e garantir segurança financeira enquanto você cuida do tratamento.
Quem tem osteíte deformante tem direito à aposentadoria?
Sim, quem tem osteíte deformante tem direito à aposentadoria quando a doença gera incapacidade para o trabalho.
Aqui, o que vale não é só o diagnóstico, mas o impacto real da doença na sua vida profissional. O que o INSS analisa é se as dores, deformidades e limitações impedem você de exercer a sua atividade ou qualquer outra que garanta renda.
Quando esse impedimento é total e definitivo, a aposentadoria por invalidez se torna o benefício adequado. Se a incapacidade existe, mas ainda há possibilidade de recuperação ou adaptação, o benefício correto passa a ser o auxílio-doença.
Saber identificar essa diferença evita perda de tempo, frustração e aumenta suas chances de resolver a situação com mais segurança.
Aposentadoria por invalidez por doença de Paget
A aposentadoria por invalidez, atualmente denominada de aposentadoria por incapacidade permanente, é o benefício concedido a quem está total e permanentemente incapaz para qualquer trabalho.
No caso da doença de Paget, ela se aplica quando as deformidades, dores e limitações não permitem reabilitação para outra função. Para ter direito a esse benefício, é necessário cumprir alguns requisitos básicos:
- Qualidade de segurado do INSS: estar contribuindo ou se encontrar no período de graça, um tempo que varia entre 12 a 36 meses em que você continua protegido pelo INSS após deixar de contribuir;
- Incapacidade total e permanente: comprovar, por meio de perícia médica do INSS e laudos médicos, que não consegue mais trabalhar.
A doença de Paget está na lista de doenças graves, na Lei 8.312/1991. Portanto, a carência é dispensada, ou seja, você não precisa ter feito o mínimo de 12 contribuições para solicitar a aposentadoria por invalidez.
Quais são os documentos necessários para solicitar aposentadoria por doença de Paget?
Os documentos pessoais e médicos são a base do pedido. Antes de solicitar a aposentadoria por invalidez, é fundamental reunir toda a documentação necessária e contar com orientação adequada.
Quando isso não acontece, o risco de ter o pedido negado aumenta bastante, o que acaba colocando você no mesmo cenário de muitos segurados frustrados com indeferimentos do INSS. E eu sei que a sua intenção é justamente evitar esse tipo de situação.
Cada documento precisa conversar com a sua realidade de trabalho e com as limitações que você enfrenta hoje. A seguir, eu te mostro uma lista do que você não pode deixar de apresentar na hora de pedir sua aposentadoria.
Documentos pessoais
Os documentos pessoais servem para identificar você no sistema do INSS e garantir que o pedido seja analisado corretamente, são eles:

Documentos médicos
Os documentos médicos são os mais importantes do processo. Eles mostram a gravidade da doença e a relação direta com a incapacidade, os principais são:

Esses documentos precisam estar atualizados e alinhados com a realidade do seu dia a dia.Não esqueça de verificar se seus documentos possuem o CID, a assinatura do médico responsável e o número do CRM.
Como solicitar aposentadoria por invalidez?
O pedido é feito de forma presencial em qualquer agência do INSS como também, de forma online, pelo aplicativo ou site do Meu INSS. Seguir as orientações corretas evita atrasos e erros que podem gerar negativa.
Vamos ao passo a passo?
- Separe toda a documentação médica atualizada e confira com cuidado para não faltar nenhum documento importante;
- Em seguida, entre no site ou aplicativo Meu INSS, clique em “Entrar com gov.br” e faça o login usando seu CPF e senha;

- Depois do acesso, localize a opção “Benefício por Incapacidade”;
- Na sequência, selecione “Pedir Novo Benefício por Incapacidade”;

- Na próxima tela, leia com atenção todas as informações e orientações sobre o benefício por incapacidade e siga para a etapa seguinte clicando em “Avançar”;

- Após isso, preencha corretamente os dados solicitados para formalizar o pedido;
- Agende a perícia médica e compareça no dia marcado, levando todos os documentos bem organizados.
- Por fim, aguarde a análise do INSS. A decisão será disponibilizada no próprio sistema.
Seguindo esse passo a passo com atenção, você deixa claro como a doença de Paget afeta diretamente a sua capacidade de trabalho, aumentando as possibilidades de ter o pedido analisado de forma correta desde o início.
Organização, documentos atualizados e cuidado no preenchimento das informações fazem toda a diferença para evitar indeferimentos e encurtar o caminho até a concessão do benefício que você busca.
Quem tem doença de Paget tem direito a outros benefícios do INSS?
Quem convive com a doença de Paget pode ter direito a outros benefícios do INSS, como o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença).
Tudo vai depender do grau de incapacidade, da duração dessa limitação e da condição econômica do segurado. O mais importante é entender que existe mais de um caminho possível dentro da Previdência.
Em muitos casos, a doença não provoca incapacidade permanente logo no início. Ainda assim, as dores, deformidades ósseas e limitações funcionais já impedem o exercício normal do trabalho, o que abre espaço para outros benefícios.
Adiante, eu explico sobre cada um deles.
Auxílio-doença
O auxílio-doença é o benefício indicado quando a incapacidade causada pela doença de Paget é temporária. Esse benefício é concedido quando os laudos médicos demonstram que, naquele momento, você não consegue trabalhar, mas ainda existe possibilidade de melhora ou adaptação.
Para ter direito ao auxílio-doença, é necessário cumprir com os seguintes requisitos:
- Estar na qualidade de segurado, ou seja, estar contribuindo para o INSS;
- Estar no período de graça, que é um tempo que varia entre 12 a 36 meses no qual você ainda consegue solicitar benefícios mesmo após deixar de contribuir;
- Comprovar a incapacidade temporária por meio de perícia médica e laudos médicos.
Caso a doença avance e a incapacidade se torne permanente, o auxílio-doença pode ser convertido em aposentadoria por invalidez.
BPC/LOAS
O BPC, também chamado de LOAS, é um benefício assistencial destinado a:
- Pessoas com deficiência, em qualquer idade, que vivem em baixa renda;
- Idosos a partir dos 65 anos que vivem em baixa renda e não conseguem se manter sozinhos.
Ele garante um salário mínimo mensal e não exige contribuições ao INSS. Além disso, o BPC não garante 13º salário e nem pensão por morte para os dependentes.
No caso da doença de Paget, o benefício é possível quando a osteíte deformante gera impedimentos de longo prazo, limita a autonomia e impede o exercício do trabalho.
Para isso, é fundamental apresentar laudos médicos que comprovem as limitações físicas e funcionais.
Manter o Cadastro Único atualizado é indispensável para a análise do pedido, pois ele ajuda a comprovar a renda familiar baixa, que em regra deve ser de até ¼ do salário mínimo por pessoa que mora na mesma casa.
Em 2026, esse limite corresponde a R$405,25 por integrante da família. No cálculo, apenas um benefício de até um salário mínimo é considerado, e despesas comprovadas com saúde, como medicamentos e exames, podem ser descontadas.
O INSS negou meu benefício por osteíte deformante, e agora?
Se o INSS negou seu pedido, você pode apresentar recurso administrativo, pedir reconsideração da perícia ou buscar a via judicial.
A primeira alternativa é apresentar um recurso administrativo ao INSS, que deve ser feito pelo site ou aplicativo do Meu INSS em até 30 dias a partir da ciência da negativa. O preenchimento correto das informações é fundamental e aumenta significativamente as chances de ter seu benefício concedido.
Siga estes passos para o preenchimento:
- Acesse o formulário denominado “Recurso à Junta de Recursos da Previdência Social”;
- No espaço “Segurado”, preencha com seu nome completo;
- O campo “Recorrente” pode ser deixado em branco, já que o próprio sistema identifica o INSS;
- Indique corretamente o endereço onde você deseja receber as notificações e comunicações do processo;
- Em “Motivo do Recurso”, escolha a opção que melhor representa o motivo da sua contestação;
- No campo “Razões do Recurso”, descreva de forma clara os motivos da discordância da decisão e o que você espera com a nova análise;
Além disso, você também pode solicitar a reconsideração da perícia, especialmente quando acredita que o médico perito não avaliou corretamente a sua condição ou houve uma piora no seu quadro de saúde.
Aqui, você pode pedir pelo site ou aplicativo do Meu INSS seguindo os seguintes passos:
- Acesse o Meu INSS e faça o login, informando seu CPF e senha do gov.br;
- No menu inicial, selecione a opção “Novo Pedido”;
- Busque por “Revisão Administrativa de Benefício por Incapacidade”;
- Preencha corretamente todos os campos solicitados, incluindo dados pessoais e informações do benefício;
- Anexe a documentação incluindo novos laudos, exames ou outros documentos médicos que comprovem a incapacidade;
- Revise os dados informados, confirme o pedido e guarde o comprovante para acompanhar o andamento pelo site ou aplicativo.
Esse pedido é administrativo, simples e pode ser feito sem a necessidade de advogado.
Se, mesmo após essas tentativas, o benefício continuar sendo negado, ainda é possível ingressar com ação judicial. Nessa fase, o acompanhamento de um advogado previdenciarista se torna importante para identificar falhas no processo, organizar melhor as provas e conduzir o caso de forma mais estratégica e segura.
Conclusão
A doença de Paget é uma alteração óssea crônica que interfere no processo natural de renovação dos ossos, fazendo com que eles se tornem mais frágeis, deformados e doloridos ao longo do tempo.
No texto de hoje, eu te mostrei como essa condição pode evoluir, quais limitações ela pode causar e de que forma impacta diretamente a capacidade de trabalho.
Também expliquei que, dependendo da gravidade da doença e das sequelas deixadas, é possível ter direito à aposentadoria por incapacidade permanente ou a outros benefícios do INSS, como o auxílio-doença e o BPC/LOAS.
Tudo isso depende da comprovação da incapacidade, da qualidade da documentação médica e da correta condução do pedido.
Por fim, destaquei a importância de entender cada etapa do processo, reunir laudos e exames atualizados e saber quais caminhos seguir caso o benefício seja negado.
Eu espero ter te ajudado.
Em caso de dúvidas, sugiro entrar em contato com um advogado de sua confiança.
Se este material trouxe respostas, compartilhe. Informação confiável protege.
Um abraço!
Perguntas frequentes sobre doença de Paget
Qual a diferença entre a doença de Paget e a osteoporose?
A doença de Paget altera o processo de renovação óssea, fazendo com que os ossos cresçam de forma desorganizada, fiquem deformados, mais frágeis e doloridos. Já a osteoporose reduz a densidade óssea, deixando os ossos mais porosos e suscetíveis a fraturas, mas sem causar deformidades estruturais como ocorre na doença de Paget.
Qual exame detecta doença de Paget?
O exame mais utilizado é a cintilografia óssea, pois permite identificar as áreas do esqueleto afetadas pela doença. Além dela, radiografias ajudam a visualizar as deformidades ósseas, e exames de sangue, como a dosagem de fosfatase alcalina, auxiliam na confirmação do diagnóstico e no acompanhamento da evolução da doença.
Doença de Paget é câncer?
Não. A doença de Paget não é um tipo de câncer. Trata-se de uma condição óssea crônica. Em situações raras, podem surgir complicações mais graves, como a transformação maligna do osso, mas isso não é a regra e ocorre em uma parcela muito pequena dos casos.
A osteíte tem cura?
A doença de Paget não tem cura, mas possui tratamento. O uso de medicamentos e o acompanhamento médico adequado ajudam a controlar os sintomas, reduzir a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida. Esse controle é um fator importante, inclusive, na análise do INSS, pois influencia diretamente na avaliação da incapacidade para o trabalho e no direito aos benefícios previdenciários.
