Pessoas que estavam próximas de se aposentar quando a Reforma entrou em vigor, em novembro de 2019, ainda têm dúvidas sobre qual regra de transição da aposentadoria por tempo de contribuição será a mais ideal para elas.

E isso é bem complicado, porque o segurado fica receoso de escolher uma regra de transição, e ela não ser a opção mais vantajosa.

Principalmente quem já passou dos 35 anos de contribuição, se homem, ou 30 anos, se mulher, que é o tempo mínimo de quem pretende se aposentar por contribuição.

É exatamente por isso que estou escrevendo este conteúdo, para você entender quais das 4 regras da aposentadoria por tempo de contribuição pode ser a mais benéfica para a sua situação.

Vamos lá?

Como funciona a aposentadoria por tempo de contribuição?

De início, já aviso que a aposentadoria por tempo de contribuição mudou bastante com a Reforma da Previdência.

Ela era um dos benefícios previdenciários do INSS em que o segurado tinha que cumprir determinado tempo de recolhimento para consegui-la. Geralmente era:

  • Homem: 35 anos de contribuição.
  • Mulher: 30 anos de contribuição.

Geralmente, essa modalidade de aposentadoria não dependia de uma idade mínima, mas exigia outros requisitos.

Vale reforçar que ainda existe a possibilidade de você se aposentar com as regras antigas. Isso se chama direito adquirido.

Ou seja, se você tiver cumprido os requisitos da aposentadoria por tempo de contribuição até o dia 12/11/2019 — um dia antes de a Reforma da Previdência entrar em vigor.

Para os segurados que estavam perto de conseguir a aposentadoria por tempo de contribuição, foram criadas as regras de transição deste benefício.

Isto é, para os trabalhadores que já estavam quase se aposentando nessa modalidade, foram feitas algumas regras para que eles não sofressem com a norma prestes a alterar os requisitos do benefício.

Em 2022, a aposentadoria por tempo de contribuição poderá ser concedida se:

  • você tiver preenchido os requisitos para o benefício antes de a Reforma entrar em vigor;
  • você reunir os requisitos para alguma das 4 regras de transição;
    • nesta possibilidade, somente os segurados que já estavam filiados ao INSS, antes da Reforma, poderão usufruir das regras de transição.
aposentadoria por tempo de contribuição

Antes da Reforma, existiam algumas “submodalidades” na aposentadoria por tempo de contribuição. Elas eram:

Vou falar sobre cada uma e explicar os requisitos.

Aposentadoria por Tempo de Contribuição

Ela era uma das mais buscadas pelos segurados antes da Reforma.

Isso porque o segurado somente precisava cumprir um tempo mínimo de contribuição e carência.

Ou seja, não era preciso reunir uma idade ou pontuação mínima.

Nesta aposentadoria, você deveria reunir:

Homem

  • 35 anos de contribuição;
  • 180 meses (15 anos) de carência.

Mulher

  • 30 anos de contribuição;
  • 180 meses (15 anos) de carência.

Ah, e vale dizer que as pessoas com deficiência também têm direito à aposentadoria por tempo de contribuição, mas com requisitos diferenciados.

Para eu não me alongar muito, vou deixar o nosso artigo completo sobre a Aposentadoria da Pessoa com Deficiência, ok? 🙂

O cálculo do benefício é que poderia complicar a sua situação.

Valor do benefício

O cálculo era feito da seguinte forma:

  • era feita a média aritmética dos seus 80% maiores salários de contribuição desde julho de 1994;
    • a média era corrigida monetariamente até o mês anterior ao pedido da aposentadoria;
  • você pegava a sua média e multiplicava pelo seu fator previdenciário.
  • o resultado era o valor do seu benefício.

Dependendo da idade que você possuía, seu fator previdenciário poderia atrapalhar e diminuir o valor do seu benefício.

Quanto mais novo você fosse, menor era o fator.

Esse fator vai de zero a 1, podendo ser superior a 1, mas isso só acontece quando você tem uma idade avançada e bastante tempo de contribuição.

Como a média era multiplicada pelo fator previdenciário, sua aposentadoria seria reduzida.

Exemplo do Jonas

exemplo de aposentadoria com fator previdenciário

Para você entender melhor, vou dar o exemplo de Jonas.

Em agosto de 2019, ele reuniu os 35 anos de contribuição mais a carência exigida para o benefício.

Foi feita a média, corrigida monetariamente, de seus 80% maiores salários de contribuição desde julho de 1994.

A média foi de R$ 3.850,31 e seu fator previdenciário de 0,793, pois Jonas não tinha uma idade tão avançada assim.

  • Multiplicando R$ 3.850,31 x 0,793;
  • Chegamos a um valor de aposentadoria de R$ 3.053,30.

Ou seja, o fator reduziu mais de R$ 800,00 da média de seus salários de contribuição.

Aposentadoria por Pontos

A Aposentadoria por Pontos é, basicamente, a aposentadoria por tempo de contribuição sem o fator previdenciário.

Além do tempo de contribuição, o segurado também precisava reunir uma pontuação mínima.

Essa pontuação para essa aposentadoria era a somatória da sua idade com seu tempo de contribuição.

Vamos aos requisitos:

Homem:

  • 35 anos de contribuição;
  • 96 pontos até 12/11/2019;
  • 180 meses (15 anos) de carência.

Mulher:

  • 30 anos de contribuição;
  • 86 pontos até 12/11/2019;
  • 180 meses (15 anos) de carência.

Então, uma mulher com 55 anos de idade e 31 anos de contribuição conseguirá se aposentar se tiver fechado os requisitos até o dia 12/11/2019 (um dia antes de a Reforma entrar em vigor).

A somatória da pontuação dessa mulher será de:

  • 55 anos de idade + 31 anos de contribuição = 86 pontos.

A parte boa vem agora e é sobre o cálculo deste benefício.

Valor do benefício

A aposentadoria por pontos era calculada do seguinte modo:

  • era feita a média aritmética dos seus 80% maiores salários de contribuição desde julho de 1994;
    • esta média era corrigida monetariamente até o mês anterior ao pedido da aposentadoria;
  • o resultado da média era o valor do seu benefício.

Ou seja, nenhum redutor era aplicado à média aritmética dos seus 80% maiores salários desde 07/1994. Por isso, a aposentadoria por pontos era uma das mais buscadas antes da Reforma da Previdência.

Aposentadoria Proporcional

A aposentadoria proporcional também era uma “submodalidade” da aposentadoria por tempo de contribuição.

Contudo, aqui, o tempo de recolhimento era menor, comparado aos benefícios antigos.

Em contrapartida, o valor do benefício era reduzido.

Portanto, o segurado tinha que colocar no papel se a aposentadoria proporcional valia a pena.

Ela surgiu como uma regra de transição após uma norma previdenciária de 1998, enquanto a regra definitiva era exatamente a aposentadoria por tempo de contribuição.

Para se aposentar na aposentadoria proporcional, você precisava:

Homem:

  • 53 anos de idade;
  • 30 anos de tempo de contribuição;
  • pedágio de 40% do tempo que faltava para cumprir 30 anos de contribuição no dia 16/12/1998;
  • ter se filiado ao INSS antes do dia 16/12/1998;
  • cumprir todos os requisitos acima antes do dia 13/11/2019.

Mulher:

  • 48 anos de idade;
  • 25 anos de tempo de contribuição;
  • pedágio de 40% do tempo que faltava para cumprir 25 anos de contribuição no dia 16/12/1998;
  • ter se filiado ao INSS antes do dia 16/12/1998;
  • cumprir todos os requisitos acima antes do dia 13/11/2019.

Perceba que eram exigidos 5 anos de contribuição a menos se você comparar com as regras anteriores.

Além disso, era necessário cumprir uma idade mínima, que não era tão alta assim.

Também, existia o pedágio de 40% do tempo que faltava para atingir o tempo mínimo de recolhimento, pois estamos falando de uma regra de transição.

E, por fim, o segurado deveria ter se filiado ao INSS antes de 16/12/1998 (por ser uma regra de transição) e ter preenchido os requisitos até a Reforma entrar em vigor.

Valor do benefício

Quanto ao cálculo, a aposentadoria proporcional era calculada da seguinte maneira:

  • era feita a média aritmética dos seus 80% maiores salários de contribuição desde julho de 1994;
    • esta média era corrigida monetariamente até o mês anterior do pedido da aposentadoria;
  • você pegava a sua média e multiplicava pelo seu fator previdenciário;
  • do resultado, você receberia 70% + 5% a cada ano que ultrapassasse o tempo mínimo de contribuição para essa aposentadoria (30 ou 25 anos), somado com o pedágio.

Exemplo da Fernanda

exemplo de aposentadoria porporcional

Vamos pensar no caso de Fernanda.

No dia 16/12/1998, ela possuía 23 anos de contribuição.

No caso, ela precisava cumprir mais 2 anos de recolhimento para atingir o mínimo necessário (25 anos) + o pedágio de 40% referente a esses 2 anos.

  • 40% de 2 anos = 0,8 anos.

Totalizando, a segurada precisaria cumprir os 2 anos de contribuição que faltavam mais 0,8 de pedágio, o que resultaria em 2,8 anos.

Após alguns anos, Fernanda reuniu 29 anos de contribuição, 3,2 anos acima do necessário.

Feita a média aritmética de seus 80% maiores salários, o resultado foi de R$ 2.640,40 com um fator previdenciário de 0,802.

Fazendo a multiplicação, temos R$ 2.640,40 x 0,802 = R$ 2.117,60.

Agora, teremos que calcular a alíquota.

Ela receberá 70% + 5% a cada ano que ultrapassar 25,8 anos de recolhimento.

Então, a alíquota dela será de 70% + 15% (Fernanda tem 3,2 anos acima de 25,8 anos de recolhimento) = 85%.

85% em cima de R$ 2.117,60 resulta em R$ 1.799,96.

Viu só como o cálculo pode abaixar muito o valor do benefício na aposentadoria proporcional?

A diferença, com a aplicação do fator e da alíquota, foi de quase R$ 1.000,00.

Importante

Todas essas regras ainda são válidas para os segurados que cumpriram os requisitos explicados até o dia 12/11/2019.

Isso ocorre graças ao direito adquirido.

Como a partir do dia 13/11/2019 a Reforma entrou em vigor, as regras não serão mais válidas para quem não tiver reunido os requisitos para os benefícios.

Se for o seu caso, você entrará nas regras de transição que explicarei nos tópicos seguintes.

Vamos lá?

1. Regra da Idade progressiva: para quem é mais jovem

A idade progressiva é a primeira regra de transição derivada da aposentadoria por tempo de contribuição.

Como o nome da própria regra sugere, a idade mínima para o acesso a este benefício subirá ao longo dos anos.

Além disso, o segurado terá que cumprir o mesmo tempo de contribuição das regras anteriores.

Sem mais enrolação, vamos aos requisitos:

Homem

  • 35 anos de contribuição;
  • 62 anos e 6 meses em 2022.
    • a partir de 2020 aumenta 6 meses por ano, até atingir 65 anos de idade.

Mulher

  • 30 anos de contribuição;
  • 57 anos e 6 meses
    • a partir de 2020 aumenta 6 meses por ano, até atingir 62 anos de idade.

Para você entender melhor a progressão da idade, vou deixar uma imagem explicativa:

regra-aposentadoria-idade-progressiva

Por exemplo, agora no ano de 2022, os homens precisarão atingir 62 anos e 6 meses de idade.

Já as mulheres, necessitarão de 57 anos e 6 meses de idade.

Além disso, os segurados deverão possuir 35 ou 30 anos de contribuição, assim como a aposentadoria por tempo de contribuição antes da Reforma.

Valor do benefício

O cálculo mudou bastante após a Reforma da Previdência.

Nesta regra de transição, o valor da sua aposentadoria será calculado da seguinte forma:

  • será feita a média aritmética de todos os seus salários de contribuição desde julho de 1994;
    • esta média será corrigida monetariamente até o mês anterior do pedido da aposentadoria;
  • desta média, você receberá 60% + 2% ao ano que ultrapassar:
    • homem: 20 anos de contribuição;
    • mulher: 15 anos de contribuição.

Exemplo do José Ricardo

exemplo de cálculo de aposentadoria na regra de transição

Então, imagine a situação de José Ricardo, com 37 anos de contribuição em 2022.

Fiz a média de todos os seus salários de contribuição e cheguei ao valor de R$ 3.203,66.

Calculando a alíquota de José, verifiquei que ele possui 17 anos acima de 20 anos de contribuição.

  • 60% + 34% = 94%;
  • Aplicando 94% em cima dos R$ 3.203,66 = R$ 3.011,44.

Veja que a alíquota não reduziu tanto o valor da média de recolhimentos do segurado.

E, se você pensar nas regras de transição da aposentadoria por tempo de contribuição, os homens e as mulheres terão uma alíquota de, no mínimo, 90%.

Isso porque eles sempre precisarão ter 35 ou 30 anos de recolhimento.

O que “pega” neste novo cálculo será a média considerar todos os recolhimentos do segurado a partir de julho de 1994.

Isto é, não serão desconsiderados seus 20% menores salários, que poderiam ajudar a aumentar o valor da sua média.

Caso você tenha interesse em saber mais sobre a Regra de Transição da Idade Progressiva, já escrevi um conteúdo completo sobre o tema.

Vale a leitura!

2. Regra do Pedágio 50%: para quem estava próximo de se aposentar na data da Reforma

Assim como na aposentadoria proporcional, você precisará cumprir um pedágio para conseguir se aposentar nesta regra de transição.

Mas, aqui, vai uma informação muito importante: para conseguir este benefício, você precisa ter, no mínimo:

  • 28 anos de recolhimento (se mulher) ou:
  • 33 anos de recolhimento (se homem) no dia que a Reforma entrou em vigor (13/11/2019).

Então, por exemplo, se você estava há mais de 2 anos para conseguir sua aposentadoria por tempo de contribuição no dia 12/11/2019, você não poderá usar esta regra de transição.

Vamos aos requisitos:

Homem

  • 35 anos de tempo de contribuição;
  • cumprir 50% do tempo de contribuição (metade) que faltava no dia 13/11/2019 para completar os 35 anos de recolhimento.

Mulher

  • 30 anos de tempo de contribuição;
  • cumprir 50% do tempo de contribuição (metade) que faltava no dia 13/11/2019 para completar os 30 anos de recolhimento.

A parte boa é que não será necessário cumprir uma idade mínima.

Exemplo da Maria

exemplo de aposentadoria no pedágio de 50%

Vamos imaginar a situação de Maria, com 29 anos de recolhimento até que a Reforma entrou em vigor.

Como Maria estava há menos de 2 anos para conseguir a sua aposentadoria, ela poderá optar pela regra de transição do pedágio de 50%.

Além de ter que cumprir mais um 1 ano para chegar nos 30 anos de recolhimento, Maria deverá pagar o pedágio de 50% referente a este 1 ano.

  • 50% de 1 ano = 6 meses.

Portanto, Maria precisará recolher mais 1 ano e 6 meses para conseguir se aposentar.

Valor do benefício

O cálculo será um pouco diferente se comparado à regra antiga.

Ele funcionará assim:

  • será feita a média aritmética de todos os seus salários de contribuição desde julho de 1994;
    • esta média será corrigida monetariamente até o mês anterior ao pedido da aposentadoria.
  • desta média, você multiplicará pelo seu fator previdenciário;
  • o resultado será o valor da sua aposentadoria.

Você deve ter percebido que, neste caso, o cálculo será quase igual ao da aposentadoria por tempo de contribuição, pois haverá a aplicação do fator previdenciário.

Lembre-se que este fator leva em conta a sua idade, tempo de contribuição e expectativa de sobrevida.

Quanto mais velho e mais tempo de contribuição você possuir, melhor, pois isso ajudará você a não perder muito dinheiro com a aplicação do fator previdenciário.

Se você quer saber mais sobre a Regra de Transição do Pedágio de 50%, também já escrevi um conteúdo sobre o tema 🙂

3. Regra do Pedágio 100%: para quem tem bastante tempo de contribuição

Também existe outra regra de transição com a necessidade de se cumprir um pedágio.

Mas, agora, não será necessário que você esteja há menos de 2 anos de sua aposentadoria na hora em que a Reforma entrou em vigor.

Isto é, você poderá utilizar esta regra de transição, independentemente de quanto tempo tinha quando a Reforma começou a valer.

A regra de transição do pedágio de 100% terá como requisitos:

Homem

  • 60 anos de idade;
  • 35 anos de tempo de contribuição;
  • o dobro do tempo que faltava para se aposentar no momento da vigência da Reforma (13/11/2019).

Mulher

  • 57 anos de idade;
  • 30 anos de tempo de contribuição;
  • o dobro do tempo que faltava para se aposentar no momento da vigência da Reforma (13/11/2019).

Se você comparar com a regra de transição do pedágio de 50%, encontrará dois pontos diferentes:

  • necessidade de cumprir uma idade mínima;
  • necessidade de cumprir mais tempo de pedágio.

Exemplo da Carla

exemplo aposentadoria no pedágio de 100%

Vamos imaginar a situação de Carla.

Na data da Reforma da Previdência, ela tinha 55 anos de idade e 27 anos de contribuição.

Ela precisará cumprir 100% (o dobro) do tempo de recolhimento que necessitava na oportunidade em que a Reforma começou a valer.

  • 100% de 3 anos = 3 anos.

Isto é, se Carla não tiver parado de recolher a partir de 13/11/2019 (data que a Reforma entrou em vigor), ela irá reunir os requisitos no dia 13/11/2025 (6 anos depois).

Em 2025, Carla terá 33 anos de contribuição e 61 anos de idade, cumprindo todos os requisitos da Regra de Transição do Pedágio de 100%.

Valor do benefício

Agora, vamos a uma notícia boa!

O cálculo do valor da aposentadoria, no pedágio de 100%, será o melhor entre as regras de transição.

Funcionará assim:

  • será feita a média aritmética de todos os seus salários de contribuição desde julho de 1994;
    • esta média será corrigida monetariamente até o mês anterior ao pedido da aposentadoria.
  • o valor da sua aposentadoria será o resultado desta média.

Isso mesmo! Sem nenhuma alíquota ou fator previdenciário aplicados na média de todos os seus recolhimentos.

Uma maravilha, né?

Apesar de o segurado ter que cumprir um tempo a mais de pedágio, o cálculo do benefício poderá compensar o tempo trabalhado a mais.

Continuando o exemplo da Carla.

Se a média de todos os seus salários de contribuição, desde julho de 1994, tiver sido de R$ 3.105,33, o valor da sua aposentadoria será esse mesmo.

Ah, e se você quiser saber mais sobre a Regra de Transição do Pedágio de 100%, minha colega Fernanda Camargos já escreveu um artigo sobre.

4. Regra dos Pontos: somatória da idade e tempo de contribuição

Vamos à última regra derivada da aposentadoria por tempo de contribuição, a regra de transição da aposentadoria por pontos.

Assim como expliquei antes, este benefício já existia antes da Reforma da Previdência.

Nesta regra, o segurado precisará ter o tempo mínimo de contribuição mais uma pontuação mínima.

Na regra dos pontos, funcionará do mesmo jeito, mas a pontuação mínima aumentará ao passar dos anos até atingir 105/100 pontos.

Vou explicar melhor os requisitos:

Homem

  • 99 pontos em 2022;
    • a apontuação aumenta + 1 ponto por ano, a partir de 2020, até chegar em 105 pontos, em 2028;
  • 35 anos de tempo de contribuição.

Mulher

  • 89 pontos em 2022;
    • a pontuação aumenta + 1 ponto por ano, a partir de 2020, até chegar em 100 pontos, em 2033;
  • 30 anos de tempo de contribuição.

Lembrando que a pontuação é a somatória da sua idade com seu tempo de contribuição.

Perceba que os pontos vão aumentando com o passar dos anos até chegar em 105 (homens) ou 100 (mulheres).

Para você entender melhor, deixo esta tabela explicativa:

Pontos para homens Pontos para mulheres
20199686
20209787
20219888
20229989
202310090
202410191
202510292
202610393
202710494
2028105 (limite)95
202910596
203010597
203110598
203210599
2033105100 (limite)
2034105100
105100

Então, no ano de 2022:

  • homens precisarão de 99 pontos + 35 anos de contribuição;
  • mulheres precisarão de 89 pontos + 30 anos de contribuição.
pontos aposentadoria

Exemplo da Patrícia

exemplo regra dos pontos

Vamos pensar na situação de Patrícia.

Em 2022, ela completou 31 anos de contribuição e tem 58 anos de idade.

Fazendo a somatória:

  • 58 anos de idade + 31 anos de contribuição = 89 pontos em 2022.

Portanto, neste ano de 2022, Patrícia já poderá se aposentar.

Valor do benefício

O cálculo da regra de transição da aposentadoria por pontos será exatamente igual ao da regra de transição da idade progressiva.

Isto é:

  • será feita a média aritmética de todos os seus salários de contribuição desde julho de 1994;
    • esta média será corrigida monetariamente até o mês anterior do pedido da aposentadoria;
  • desta média, você receberá 60% + 2% ao ano que ultrapassar:
    • homens: 20 anos de contribuição;
    • mulheres: 15 anos de contribuição.

Vamos continuar no exemplo da Patrícia.

Fiz a média de todos os salários de contribuição de Patrícia, a partir de 07/1994, e cheguei no valor de R$ 3.720,45.

Calculando a alíquota dela, você encontrará:

  • 60% + 32% (2% x 16 anos que excederam 15 anos de contribuição) = 92%;
  • Aplicando 92% em R$ 3.720,45;
  • a aposentadoria de Patrícia será no valor de R$ 3.422,81.

E, para esta Regra de Transição não “ficar atrás das outras”, também já escrevi um conteúdo completo sobre a aposentadoria por pontos com a reforma da previdência.

Tabela das Regra de Transição 2022: qual a melhor?

Você deve ter percebido que a aposentadoria por tempo de contribuição deixou muitas regras de transição para quem irá se aposentar após a Reforma da Previdência.

Para ficar mais fácil de entender, elaborei uma tabela para você visualizar todos os requisitos e valores das regras, para 2022.

Vamos lá?

Regra de transição

Requisitos: homens

Requisitos: mulheres

Valor do benefício

Observações

Idade Progressiva 35 anos de contribuição;

62 anos e 6 meses de idade.

30 anos de contribuição;

57 anos e 6 meses de idade.

60% da média de todos os seus salários (a partir de julho de 1994) + 2% ao ano que ultrapassar:

20 anos (homens) e 15 anos (mulheres).

A idade mínima, aumenta 6 meses por ano, até o homem alcançar 65 anos, e a mulher 62 anos.

Pedágio de 50%

35 anos de tempo de contribuição;

50% do tempo de contribuição (metade) que faltava no dia 13/11/2019 para completar os 35 anos.

30 anos de tempo de contribuição;

50% do tempo de contribuição (metade) que faltava no dia 13/11/2019 para completar os 30 anos.

Média de todos os seus salários de contribuição a partir de julho de 1994 multiplicada pelo fator previdenciário. Você precisava ter, no mínimo, 28 anos de recolhimento (se mulher) ou 33 anos de recolhimento (se homem) no dia que a Reforma entrou em vigor (13/11/2019).

Pedágio de 100%

60 anos de idade;

35 anos de contribuição;O dobro do tempo que faltava para se aposentar no momento da vigência da Reforma (13/11/2019).

57 anos de idade;

30 anos de tempo de contribuição;O dobro do tempo que faltava para se aposentar no momento da vigência da Reforma (13/11/2019).

O valor da aposentadoria é a média de todos os seus salários de contribuição a partir de julho de 1994. Você pode optar por esta regra independentemente de quantos anos de recolhimento tinha na data da reforma.

Pontos

99 pontos;

35 anos de tempo de contribuição.

89 pontos;

30 anos de tempo de contribuição.

60% da média de todos os seus salários (a partir de julho de 1994) + 2% ao ano que ultrapassar:

20 anos (homens) e 15 anos (mulheres).

A pontuação aumenta + 1 ponto por ano até alcançar 105 (homens) e 100 (mulheres).

Como aumentar meu tempo de contribuição?

Na minha opinião, a parte mais difícil de conseguir se aposentar em uma das regras de transição será alcançar o tempo mínimo de contribuição.

Pense que, na maioria das regras, você deverá somar, pelo menos, 35 ou 30 anos de recolhimento.

É bastante coisa, se formos colocar na ponta do lápis.

Mas você sabia que existem alguns períodos de trabalho de sua vida que poderão ajudar a aumentar seu tempo de contribuição?

É isto mesmo!

Estou falando de:

  • períodos rurais;
  • recolhimentos em atraso;
  • tempo de serviço militar;
  • tempo como aluno-aprendiz;
  • conversão de atividade especial em tempo de contribuição;
  • tempo de trabalho exercido no exterior, em países que possuem Acordo Internacional de Previdência com o Brasil;
  • trabalhos que não constam no CNIS, incluindo trabalhos informais;
  • trabalho no serviço público;
  • tempo que você recebeu algum Auxílio-Doença ou Aposentadoria por Invalidez.

Se você viu algum destes pontos e percebeu que pode ser o caso, eu já escrevi um conteúdo em que explico cada um deles.

Que tal dar uma olhada sobre Quais Períodos Podem Adiantar sua Aposentadoria?

Estou fazendo isso para que a sua leitura não fique maçante, ainda mais porque ensinei um monte de requisitos e cálculos, ok? 🙂

Conclusão

Com a leitura deste conteúdo, você ficou por dentro de todas as regras de transição derivadas da aposentadoria por tempo de contribuição.

As regras antigas da aposentadoria por tempo de contribuição são aplicadas somente em casos de diretio adquirido.

Então, dependendo do seu caso, é mais válido fazer um plano de aposentadoria com um advogado especialista em direito previdenciário para verificar qual será a melhor regra para o seu caso.

Você está ali na boca do gol para conseguir se aposentar… por que não investir um pouco mais para ter o melhor benefício baseado em seu histórico previdenciário?

Como você, leitor do Ingrácio, é bastante inteligente, tenho certeza que já deve ter uma noção de qual é a melhor regra para você.

Mas é sempre bom contar com a ajuda de um especialista no assunto para que você não tenha futuros problemas quando for solicitar sua aposentadoria.

E, então, não sabia que existiam tantas regras de transição da aposentadoria por tempo de contribuição? conhece alguém que precisa saber delas?

Mande para ele ou ela via Whatsapp.

Tenho certeza que o artigo será de grande ajuda.

Agora, eu fico por aqui. Um grande abraço!

ben-hur-cuesta

OAB/PR 92.875
Advogado-Pesquisador em Direito Previdenciário e Mestre em Direito Internacional e Europeu. Apaixonado por Música Popular Brasileira e um bom açaí na tigela.

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