Regras de Transição da Aposentadoria por Tempo de Contribuição

Post Image

Pessoas que estavam próximas de se aposentar quando a Reforma entrou em vigor, em novembro de 2019, ainda têm dúvidas sobre qual regra de transição da aposentadoria por tempo de contribuição é a mais ideal para elas.

E isso é bem complicado, porque o segurado fica receoso de escolher uma regra de transição, e ela não ser a opção mais vantajosa.

Principalmente quem já passou dos 35 anos de contribuição, se homem, ou dos 30 anos, se mulher, que é o tempo mínimo de quem pretende se aposentar por contribuição.

Exatamente por isso, escrevi este conteúdo, para você entender qual das 4 regras da aposentadoria por tempo de contribuição pode ser a mais benéfica para a sua situação.

Vamos lá?

1. Como funciona a aposentadoria por tempo de contribuição?

De início, já aviso que a aposentadoria por tempo de contribuição mudou bastante com a Reforma da Previdência.

Ela era um dos benefícios previdenciários do INSS em que o segurado tinha que cumprir determinado tempo de recolhimento para consegui-la. Geralmente era:

  • Homem: 35 anos de contribuição.
  • Mulher: 30 anos de contribuição.

Essa modalidade de aposentadoria não dependia de uma idade mínima, mas exigia outros requisitos.

Vale reforçar que ainda existe a possibilidade de você se aposentar com as regras antigas.

Isso se chama direito adquirido se você tiver cumprido os requisitos da aposentadoria por tempo de contribuição até o dia 12/11/2019. Ou seja, até um dia antes de a Reforma da Previdência entrar em vigor.

Para os segurados que estavam perto de conseguir a aposentadoria por tempo de contribuição, foram criadas as regras de transição deste benefício.

Isto é, para os trabalhadores que já estavam quase se aposentando nessa modalidade, foram feitas algumas regras para que eles não sofressem com a norma prestes a alterar os requisitos do benefício.

A aposentadoria por tempo de contribuição pode ser concedida se:

  • você tiver preenchido os requisitos para o benefício antes de a Reforma entrar em vigor;
  • você reunir os requisitos para alguma das 4 regras de transição;
    • nesta possibilidade, somente os segurados que já estavam filiados ao INSS antes da Reforma podem usufruir das regras de transição.
Regras de transição da aposentadoria por tempo de contribuição

Antes da Reforma, existiam algumas “submodalidades” na aposentadoria por tempo de contribuição. Elas eram:

Vou falar sobre cada uma e explicar os requisitos.

Aposentadoria por Tempo de Contribuição

Ela era uma das mais buscadas pelos segurados antes da Reforma.

Isso porque o segurado somente precisava cumprir um tempo mínimo de contribuição e carência.

Ou seja, não era preciso reunir uma idade ou pontuação mínima.

Nesta aposentadoria, você deveria reunir:

Homem

  • 35 anos de contribuição;
  • 180 meses (15 anos) de carência.

Mulher

  • 30 anos de contribuição;
  • 180 meses (15 anos) de carência.

Ah, e vale dizer que as pessoas com deficiência também têm direito à aposentadoria por tempo de contribuição, mas com requisitos diferenciados.

Para eu não me alongar muito, vou deixar o nosso artigo completo sobre a Aposentadoria da Pessoa com Deficiência, ok?

O cálculo do benefício é que poderia complicar a sua situação.

Valor do benefício

O cálculo era feito da seguinte forma:

  • era feita a média aritmética dos seus 80% maiores salários de contribuição desde julho de 1994;
    • a média era corrigida monetariamente até o mês anterior ao pedido da aposentadoria;
  • você pegava a média e multiplicava pelo seu fator previdenciário.
  • o resultado era o valor do seu benefício.

Dependendo da idade que você possuía, seu fator previdenciário poderia atrapalhar e diminuir o valor do seu benefício.

Quanto mais novo você fosse, menor era o fator.

Esse fator vai de 0 a 1, podendo ser superior a 1, mas isso só acontece quando você tem uma idade avançada e bastante tempo de contribuição.

Como a média era multiplicada pelo fator previdenciário, sua aposentadoria seria reduzida.

Exemplo do Jonas

Regras de transição da aposentadoria por tempo de contribuição

Para você entender melhor, vou dar o exemplo do Jonas.

Em agosto de 2019, ele reuniu 35 anos de contribuição mais a carência exigida para o benefício.

Foi feita a média, corrigida monetariamente, dos seus 80% maiores salários de contribuição desde julho de 1994.

A média foi de R$ 3.850,31 e seu fator previdenciário de 0,793, pois Jonas não tinha uma idade tão avançada assim.

  • Multiplicando R$ 3.850,31 x 0,793;
  • Chegamos a um valor de aposentadoria de R$ 3.053,30.

Ou seja, o fator reduziu mais de R$ 800,00 da média de seus salários de contribuição.

Aposentadoria por Pontos

A Aposentadoria por Pontos é, basicamente, a aposentadoria por tempo de contribuição sem o fator previdenciário.

Além do tempo de contribuição, o segurado também precisava reunir uma pontuação mínima.

Essa pontuação para essa aposentadoria era a somatória da sua idade com seu tempo de contribuição.

Vamos aos requisitos:

Homem:

  • 35 anos de contribuição;
  • 96 pontos até 12/11/2019;
  • 180 meses (15 anos) de carência.

Mulher:

  • 30 anos de contribuição;
  • 86 pontos até 12/11/2019;
  • 180 meses (15 anos) de carência.

Então, uma mulher com 55 anos de idade e 31 anos de contribuição conseguiria se aposentar se tivesse fechado os requisitos até o dia 12/11/2019 (um dia antes de a Reforma entrar em vigor).

A somatória da pontuação dessa mulher era de:

  • 55 anos de idade + 31 anos de contribuição = 86 pontos.

A parte boa vem agora e é sobre o cálculo deste benefício.

Valor do benefício

A aposentadoria por pontos era calculada do seguinte modo:

  • era feita a média aritmética dos seus 80% maiores salários de contribuição desde julho de 1994;
    • a média era corrigida monetariamente até o mês anterior ao pedido da aposentadoria;
  • o resultado da média era o valor do seu benefício.

Ou seja, nenhum redutor era aplicado à média aritmética dos seus 80% maiores salários desde 07/1994. Por isso, a aposentadoria por pontos era uma das mais buscadas antes da Reforma da Previdência.

Aposentadoria Proporcional

A aposentadoria proporcional também era uma “submodalidade” da aposentadoria por tempo de contribuição.

Contudo, aqui, o tempo de recolhimento era menor, comparado aos benefícios antigos.

Em contrapartida, o valor do benefício era reduzido.

Portanto, o segurado tinha que colocar no papel se a aposentadoria proporcional valia a pena.

Ela surgiu como uma regra de transição após uma norma previdenciária de 1998, enquanto a regra definitiva era exatamente a aposentadoria por tempo de contribuição.

Para se aposentar na aposentadoria proporcional, você precisava:

Homem:

  • 53 anos de idade;
  • 30 anos de tempo de contribuição;
  • pedágio de 40% do tempo que faltava para cumprir 30 anos de contribuição no dia 16/12/1998;
  • ter se filiado ao INSS antes do dia 16/12/1998;
  • cumprir todos os requisitos acima antes do dia 13/11/2019.

Mulher:

  • 48 anos de idade;
  • 25 anos de tempo de contribuição;
  • pedágio de 40% do tempo que faltava para cumprir 25 anos de contribuição no dia 16/12/1998;
  • ter se filiado ao INSS antes do dia 16/12/1998;
  • cumprir todos os requisitos acima antes do dia 13/11/2019.

Perceba que eram exigidos 5 anos de contribuição a menos se você comparar com as regras anteriores.

Além disso, era necessário cumprir uma idade mínima, que não era tão alta assim.

Também, existia o pedágio de 40% do tempo que faltava para atingir o tempo mínimo de recolhimento, pois estamos falando de uma regra de transição.

E, por fim, o segurado deveria ter se filiado ao INSS antes de 16/12/1998 (por ser uma regra de transição), e ter preenchido os requisitos até a Reforma entrar em vigor.

Valor do benefício

Quanto ao cálculo, a aposentadoria proporcional era calculada da seguinte maneira:

  • era feita a média aritmética dos seus 80% maiores salários de contribuição desde julho de 1994;
    • a média era corrigida monetariamente até o mês anterior ao pedido da aposentadoria;
  • você pegava a sua média e multiplicava pelo seu fator previdenciário;
  • do resultado, você receberia 70% + 5% a cada ano que ultrapassasse o tempo mínimo de contribuição para essa aposentadoria (30 ou 25 anos), somado com o pedágio.

Exemplo da Fernanda

Regras de transição da aposentadoria por tempo de contribuição

Vamos pensar no caso de Fernanda.

No dia 16/12/1998, ela possuía 23 anos de contribuição.

No caso, ela precisava cumprir mais 2 anos de recolhimento para atingir o mínimo necessário (25 anos) + o pedágio de 40% referente a esses 2 anos.

  • 40% de 2 anos = 0,8 anos.

Totalizando, a segurada precisaria cumprir os 2 anos de contribuição que faltavam mais 0,8 de pedágio, o que resultaria em 2,8 anos.

Após alguns anos, Fernanda reuniu 29 anos de contribuição, 3,2 anos acima do necessário.

Feita a média aritmética de seus 80% maiores salários, o resultado foi de R$ 2.640,40 com um fator previdenciário de 0,802.

Fazendo a multiplicação, temos R$ 2.640,40 x 0,802 = R$ 2.117,60.

Agora, precisamos calcular a alíquota.

Ela receberá 70% + 5% a cada ano que ultrapassar 25,8 anos de recolhimento.

Então, a alíquota dela será de 70% + 15% (Fernanda tem 3,2 anos acima de 25,8 anos de recolhimento) = 85%.

85% em cima de R$ 2.117,60 resulta em R$ 1.799,96.

Viu só como o cálculo pode abaixar muito o valor do benefício na aposentadoria proporcional?

A diferença, com a aplicação do fator e da alíquota, foi de quase R$ 1.000,00.

Importante

Todas essas regras ainda são válidas para os segurados que cumpriram os requisitos explicados até o dia 12/11/2019.

Isso ocorre graças ao direito adquirido.

Como a partir do dia 13/11/2019 a Reforma entrou em vigor, as regras não são mais válidas para quem não tiver reunido os requisitos para os benefícios.

Se for o seu caso, você entrará nas regras de transição que explicarei nos tópicos seguintes.

Vamos lá?

2. Regra da Idade progressiva: para quem é mais jovem

A idade progressiva é a primeira regra de transição derivada da aposentadoria por tempo de contribuição.

Como o nome da própria regra sugere, a idade mínima para o acesso a este benefício subirá ao longo dos anos.

Além disso, o segurado terá que cumprir o mesmo tempo de contribuição das regras anteriores.

Sem mais enrolação, vamos aos requisitos:

Homem

  • 35 anos de contribuição;
  • 63 anos e 6 meses em 2024.
    • a partir de 2020 aumenta 6 meses por ano até atingir 65 anos de idade.

Mulher

  • 30 anos de contribuição;
  • 58 anos e meses em 2024.
    • a partir de 2020 aumenta 6 meses por ano até atingir 62 anos de idade.

Por exemplo, os homens precisam atingir 63 anos em 2023. Mas, partir de 2024, a idade aumenta para 63 anos e 6 meses.

Além disso, os segurados devem possuir 35 anos (homens) ou 30 anos (mulheres) de contribuição, assim como a aposentadoria por tempo de contribuição antes da Reforma.

Valor do benefício

O cálculo mudou bastante após a Reforma da Previdência.

Nesta regra de transição, o valor da sua aposentadoria será calculado da seguinte forma:

  • será feita a média aritmética de todos os seus salários de contribuição desde julho de 1994;
    • a média será corrigida monetariamente até o mês anterior ao pedido da aposentadoria;
  • desta média, você receberá 60% + 2% ao ano que ultrapassar:
    • homem: 20 anos de contribuição;
    • mulher: 15 anos de contribuição.

Exemplo do José Ricardo

Regras de transição da aposentadoria por tempo de contribuição

Então, imagine a situação de José Ricardo, com 37 anos de contribuição.

Fiz a média de todos os seus salários de contribuição e cheguei no valor de R$ 3.203,66.

Calculando a alíquota de José, verifiquei que ele possui 17 anos acima de 20 anos de contribuição.

  • 60% + 34% = 94%;
  • Aplicando 94% em cima dos R$ 3.203,66 = R$ 3.011,44.

Veja que a alíquota não reduziu tanto o valor da média de recolhimentos do segurado.

E, se você pensar nas regras de transição da aposentadoria por tempo de contribuição, os homens e as mulheres têm uma alíquota de, no mínimo, 90%.

Isso porque eles sempre precisam ter 35 ou 30 anos de recolhimento.

O que “pega” neste novo cálculo é a média considerar todos os recolhimentos do segurado a partir de julho de 1994.

Isto é, não são desconsiderados os 20% menores salários que poderiam ajudar a aumentar o valor da sua média.

Caso você tenha interesse em saber mais sobre a Regra de Transição da Idade Progressiva, já escrevi um conteúdo completo sobre o tema.

Vale a leitura!

3. Regra do Pedágio 50%: para quem estava próximo de se aposentar na data da Reforma

Assim como na aposentadoria proporcional, você precisa cumprir um pedágio para conseguir se aposentar nesta regra de transição.

Mas, aqui, vai uma informação muito importante: para conseguir este benefício, você precisa ter, no mínimo:

  • 28 anos de recolhimento (se mulher) ou:
  • 33 anos de recolhimento (se homem) no dia que a Reforma entrou em vigor (13/11/2019).

Então, por exemplo, se você estava a mais de 2 anos para conseguir sua aposentadoria por tempo de contribuição no dia 12/11/2019, você não pode usar essa regra de transição.

Vamos aos requisitos:

Homem

  • 35 anos de tempo de contribuição;
  • cumprir 50% do tempo de contribuição (metade) que faltava no dia 13/11/2019 para completar os 35 anos de recolhimento.

Mulher

  • 30 anos de tempo de contribuição;
  • cumprir 50% do tempo de contribuição (metade) que faltava no dia 13/11/2019 para completar os 30 anos de recolhimento.

A parte boa é que não é necessário cumprir uma idade mínima.

Exemplo da Maria

Regras de transição da aposentadoria por tempo de contribuição

Vamos imaginar a situação de Maria, com 29 anos de recolhimento até que a Reforma entrou em vigor.

Como Maria estava há menos de 2 anos para conseguir a sua aposentadoria, ela pôde optar pela regra de transição do pedágio de 50%.

Além de ter que cumprir mais um 1 ano para chegar nos 30 anos de recolhimento, Maria pagou o pedágio de 50% referente a este 1 ano.

  • 50% de 1 ano = 6 meses.

Portanto, Maria precisou recolher mais 1 ano e 6 meses para conseguir se aposentar.

Valor do benefício

O cálculo é um pouco diferente se comparado à regra antiga.

Ele funciona assim:

  • será feita a média aritmética de todos os seus salários de contribuição desde julho de 1994;
    • a média será corrigida monetariamente até o mês anterior ao pedido da aposentadoria.
  • você multiplica a média pelo seu fator previdenciário;
  • o resultado será o valor da sua aposentadoria.

Você deve ter percebido que, neste caso, o cálculo é quase igual ao da aposentadoria por tempo de contribuição, porque á a aplicação do fator previdenciário.

Lembre-se que o fator leva em conta sua idade, tempo de contribuição e expectativa de sobrevida.

Quanto mais velho e mais tempo de contribuição você possuir, melhor, pois isso ajuda você a não perder muito dinheiro com a aplicação do fator previdenciário.

Se você quer saber mais sobre a Regra de Transição do Pedágio de 50%, também já escrevi um conteúdo sobre o tema.

4. Regra do Pedágio 100%: para quem tem bastante tempo de contribuição

Também existe outra regra de transição com a necessidade de se cumprir um pedágio.

Mas, agora, não é necessário que você esteja a menos de 2 anos da sua aposentadoria na hora em que a Reforma entrou em vigor.

Isto é, você pode utilizar essa regra de transição, independentemente de quanto tempo tinha quando a Reforma começou a valer.

A regra de transição do pedágio de 100% tem como requisitos:

Homem

  • 60 anos de idade;
  • 35 anos de tempo de contribuição;
  • o dobro do tempo que faltava para se aposentar no momento da vigência da Reforma (13/11/2019).

Mulher

  • 57 anos de idade;
  • 30 anos de tempo de contribuição;
  • o dobro do tempo que faltava para se aposentar no momento da vigência da Reforma (13/11/2019).

Se você comparar com a regra de transição do pedágio de 50%, encontrará dois pontos diferentes:

  • necessidade de cumprir uma idade mínima;
  • necessidade de cumprir mais tempo de pedágio.

Exemplo da Carla

Regras de transição da aposentadoria por tempo de contribuição

Vamos imaginar a situação da Carla.

Na data da Reforma da Previdência, ela tinha 55 anos de idade e 27 anos de contribuição.

Ela precisa cumprir 100% (o dobro) do tempo de recolhimento que necessitava na oportunidade em que a Reforma começou a valer.

  • 100% de 3 anos = 3 anos.

Isto é, se Carla não tiver parado de recolher a partir de 13/11/2019 (data que a Reforma entrou em vigor), ela irá reunir os requisitos no dia 13/11/2025 (6 anos depois).

Em 2025, Carla terá 33 anos de contribuição e 61 anos de idade, cumprindo todos os requisitos da Regra de Transição do Pedágio de 100%.

Valor do benefício

Agora, vamos a uma notícia boa!

O cálculo do valor da aposentadoria, no pedágio de 100%, é o melhor entre as regras de transição.

Funciona assim:

  • é feita a média aritmética de todos os salários de contribuição desde julho de 1994;
    • a média é corrigida monetariamente até o mês anterior ao pedido da aposentadoria.
  • o valor da sua aposentadoria é o resultado desta média.

Isso mesmo! Sem nenhuma alíquota ou fator previdenciário aplicados na média de todos os seus recolhimentos.

Uma maravilha, né?

Apesar de o segurado ter que cumprir um tempo a mais de pedágio, o cálculo do benefício pode compensar o tempo trabalhado a mais.

Continuando o exemplo da Carla.

Se a média de todos os seus salários de contribuição, desde julho de 1994, tiver sido de R$ 3.105,33, o valor da sua aposentadoria será esse mesmo.

Ah, e se você quiser saber mais sobre a Regra de Transição do Pedágio de 100%, minha colega Fernanda Camargos já escreveu um artigo.

5. Regra dos Pontos: somatória da idade e tempo de contribuição

Vamos à última regra derivada da aposentadoria por tempo de contribuição, a regra de transição da aposentadoria por pontos.

Assim como expliquei antes, esse benefício já existia antes da Reforma da Previdência.

Nesta regra, o segurado precisa ter o tempo mínimo de contribuição mais uma pontuação mínima.

Na regra dos pontos, funciona do mesmo jeito, mas a pontuação mínima aumenta com o passar dos anos até atingir 105/100 pontos.

Vou explicar melhor os requisitos:

Homem

  • 101 pontos em 2024;
    • a pontuação aumenta + 1 ponto por ano, a partir de 2020, até chegar em 105 pontos em 2028;
  • 35 anos de tempo de contribuição.

Mulher

  • 91 pontos em 2024;
    • a pontuação aumenta + 1 ponto por ano, a partir de 2020, até chegar em 100 pontos em 2033;
  • 30 anos de tempo de contribuição.

Lembre-se: a pontuação é a somatória da sua idade com seu tempo de contribuição.

Perceba que os pontos aumentam com o passar dos anos até chegar em 105 (homens) ou 100 (mulheres).

Para você entender melhor, abaixo deixo uma tabela explicativa:

AnoPontos (mulheres)Pontos (homens)
20198696
20208797
20218898
20228999
202390100
202491101
202592102
202693103
202794104
202895105 (limite)
202996105
203097105
203198105
203299105
2033100 (limite)105
2034100105
100105

Então, no ano de 2024:

  • homens precisam de 101 pontos + 35 anos de contribuição;
  • mulheres precisam de 91 pontos + 30 anos de contribuição.

Exemplo da Patrícia

Regras de transição da aposentadoria por tempo de contribuição

Vamos pensar na situação da Patrícia.

Em 2023, ela completou 31 anos de contribuição e tem 59 anos de idade.

Fazendo a somatória:

  • 59 anos de idade + 31 anos de contribuição = 90 pontos em 2023.

Portanto, Patrícia já pode se aposentar em 2023.

Valor do benefício

O cálculo da regra de transição da aposentadoria por pontos é exatamente igual ao da regra de transição da idade progressiva.

Isto é:

  • é feita a média aritmética de todos os salários de contribuição desde julho de 1994;
    • a média é corrigida monetariamente até o mês anterior ao pedido da aposentadoria;
  • desta média, você recebe 60% + 2% ao ano que ultrapassar:
    • homens: 20 anos de contribuição;
    • mulheres: 15 anos de contribuição.

Vamos continuar no exemplo da Patrícia.

Fiz a média de todos os salários de contribuição da Patrícia a partir de 07/1994, e cheguei no valor de R$ 3.720,45.

Calculando a alíquota dela, você encontra:

  • 60% + 32% (2% x 16 anos que excederam 15 anos de contribuição) = 92%;
  • Aplicando 92% em R$ 3.720,45;
  • a aposentadoria de Patrícia será no valor de R$ 3.422,81.

E, para esta Regra de Transição não “ficar atrás das outras”, também já escrevi um conteúdo completo sobre a aposentadoria por pontos com a Reforma da Previdência.

6. Tabela das Regras de Transição 2024: qual é a melhor?

Você deve ter percebido que a aposentadoria por tempo de contribuição deixou muitas regras de transição para quem irá se aposentar após a Reforma da Previdência.

Para ficar mais fácil de entender, elaborei uma tabela para você visualizar todos os requisitos das regras em 2024.

Vamos lá?

Regra de transiçãoIdade mínima (mulher)Tempo de contribuição (mulher)Idade mínima (homem)Tempo de contribuição (homem)
Aposentadoria por idade62 anos15 anos65 anos15 anos
Aposentadoria por pontosNão tem30 anos e 91 pontos (idade + tempo de contribuição)Não tem35 anos e 101 pontos (idade + tempo de contribuição)
Idade progressiva58 anos e 6 meses30 anos63 anos e 6 meses35 anos
Pedágio de 50%Não tem30 anos (+ metade do tempo que faltava para atingir 30 anos em 13/11/2019)Não tem35 anos (+ metade do tempo que faltava para atingir 35 anos em 13/11/2019)
Pedágio de 100%57 anos 30 anos (+ o dobro do tempo que faltava para atingir 30 anos em 13/11/2019)60 anos35 anos (+ o dobro do tempo que faltava para atingir 35 anos em 13/11/2019)
Servidores públicos – Pedágio 100%57 anos30 anos (20 de serviço público, 10 de carreira e 5 no cargo) + o dobro do tempo que faltava para atingir 30 anos em 13/11/201960 anos35 anos (20 de serviço público, 10 de carreira e 5 no cargo) + o dobro do tempo que faltava para atingir 35 anos em 13/11/2019
Servidores públicos – Pontos57 anos30 anos (20 de serviço público, 10 de carreira e 5 no cargo) + 91 pontos62 anos35 anos (20 de serviço público, 10 de carreira e 5 no cargo) + 101 pontos
Aposentadoria especialNão tem 86 pontos + 25, 20 ou 15 anos de atividade especial (a depender do risco)Não tem86 pontos + 25, 20 ou 15 anos de atividade especial (a depender do risco)
ProfessoresNão tem25 anos (20 de serviço público e 5 no cargo) + 86 pontosNão tem30 anos (20 de serviço público e 5 no cargo) + 96 pontos

7. Como aumentar meu tempo de contribuição?

Na minha opinião, a parte mais difícil de conseguir se aposentar em uma das regras de transição é alcançar o tempo mínimo de contribuição.

Pense que, na maioria das regras, você deve somar pelo menos 35 ou 30 anos de recolhimento, ou seja, bastante coisa se formos colocar na ponta do lápis.

Mas você sabia que existem alguns períodos de trabalho que podem ajudar a aumentar seu tempo de contribuição?

É isso mesmo!

Estou falando de:

  • períodos rurais;
  • recolhimentos em atraso;
  • tempo de serviço militar;
  • tempo como aluno-aprendiz;
  • conversão de atividade especial em tempo de contribuição;
  • tempo de trabalho exercido no exterior, em países que possuem Acordo Internacional de Previdência com o Brasil;
  • trabalhos que não constam no CNIS, incluindo trabalhos informais;
  • trabalho no serviço público;
  • tempo que você recebeu algum Auxílio-Doença ou Aposentadoria por Invalidez.

Se você viu algum destes pontos e percebeu que pode ser o caso, eu já escrevi um conteúdo em que explico cada um deles.

Que tal dar uma olhada sobre Quais Períodos Podem Adiantar sua Aposentadoria?

Estou fazendo isso para que a sua leitura não fique maçante, ainda mais porque ensinei um monte de requisitos e cálculos, ok?

Conclusão

Com a leitura deste conteúdo, você ficou por dentro de todas as regras de transição derivadas da aposentadoria por tempo de contribuição.

As regras antigas da aposentadoria por tempo de contribuição são aplicadas somente em casos de direito adquirido.

Então, dependendo do seu caso, é mais válido fazer um plano de aposentadoria com um advogado especialista em direito previdenciário para verificar qual é a melhor regra para o seu caso.

Você está ali na boca do gol para conseguir se aposentar. Por que não investir um pouco mais para ter o melhor benefício baseado no seu histórico previdenciário?

Como você é bastante inteligente, tenho certeza que já deve ter uma noção de qual é a melhor regra para você.

Mas, é sempre bom contar com a ajuda de um especialista no assunto para que você não tenha futuros problemas quando for solicitar sua aposentadoria.

E, então, não sabia que existiam tantas regras de transição da aposentadoria por tempo de contribuição? Conhece alguém que precisa saber delas?

Compartilhe esse conteúdo via Whatsapp.

Tenho certeza que o artigo será de grande ajuda.

Agora, eu fico por aqui! Um grande abraço.

Plano de Aposentadoria
  • 1 hora de consulta com advogado especializado.
  • Todos os cálculos e projeções de quando você irá se aposentar.
  • Análise da sua documentação completa.
  • Orientação de como dar entrada ou regularizar sua aposentadoria
quero saber mais

Receba Novidades Exclusivas sobre o INSS

Entre na nossa lista e junte-se a mais de 40 mil pessoas

Compartilhe o conteúdo:

ingracio-advocacia-autor

Escrito por:

Ingrácio Advocacia

OAB/PR 1517

Escritório de Advocacia especializado em aposentadorias no INSS, com atendimento em todo o Brasil e Exterior. 20 anos de tradição.

Gostou do conteúdo?

Equipe:

  • julia-autora
    Julia Culpi
    Planejamento
  • bruna-autora
    Bruna Schlisting
    Revisão geral
  • regiane-autora
    Regiane Reguelim
    Revisão jurídica
Author Profile Picture

Ingrácio Advocacia

OAB/PR 1517

Escritório especialista em direito previdenciário

Compartilhe esse artigo