*Atualizado com a Reforma da Previdência por especialistas no assunto.

A Aposentadoria por Tempo de Contribuição no INSS é um benefício para quem completou os requisitos antes da Reforma da Previdência, sendo necessários 35 anos (homem) ou 30 anos (mulher) de contribuição até 12/11/2019.

Eu vou mostrar como fica o caso de quem completou os requisitos antes da reforma e para quem vai se aposentar depois da reforma da previdência. 

Reuni o essencial que você precisa saber a Aposentadoria por Tempo de Contribuição antes e depois da Reforma. 

Não conhecer esta aposentadoria em detalhes pode fazer você:

  1. Se aposentar antes do que deveria, e perder milhares de reais na sua aposentadoria. Principalmente com as regras de transição que existem agora.
  2. Se aposentar depois do que deveria, e continuar contribuindo para o INSS sem impacto positivo nenhum na sua aposentadoria. 
  3. Se aposentar sem os documentos certos, perder tempo que já é teu por direito e talvez deixar de se aposentar com a regra antes da reforma.

Atenção: como a Aposentadoria por Tempo de Contribuição não existe mais, as regras que vou falar aqui sobre essa aposentadoria valem somente para quem conseguiu completar 35 anos de tempo de contribuição, se homem, ou 30 anos de tempo de contribuição, se mulher, antes da Reforma da Previdência entrar em vigor, ok? Vamos lá

Se você ainda não completou o tempo antes da reforma, você vai entrar em alguma das Regras de Transição que vou falar nesse post.

Caso você queira saber como ficaram as outras aposentadorias depois da Reforma, clique aqui.

O que é a Aposentadoria por Tempo de Contribuição?

 Existem vários tipos de Aposentadoria por Tempo de Contribuição, com variáveis que mudam o jogo por diferença de alguns meses.

Por isso, você precisa saber quais são os tipos e o que muda de uma para outra.

Em todos os casos, você precisa ter no mínimo 180 meses de contribuição para o INSS antes da Reforma (13/11/2019), a chamada carência. São 3 tipos principais: aposentadoria por Tempo de Contribuição Integral (antes e depois da Reforma). Aposentadoria por Pontos e Aposentadoria Proporcional.

Aposentadoria por Tempo de Contribuição Integral antes da Reforma

  • Tempo de contribuição: 30 anos mulher e 35 anos, homem.
  • Com fator previdenciário.
  • Sem idade mínima.
  • Carência de 180 meses.

Apesar de chamarem de aposentadoria integral, isso não significa que você vai se aposentar com o seu último salário. Esta é a maior confusão nesta aposentadoria.

Para ter direito à Aposentadoria por Tempo de Contribuição é preciso ter contribuído para o INSS por 30 anos (mulheres) ou 35 anos (homens) completados antes da Reforma.

Nesta regra, sua aposentadoria vai ter o fator previdenciário que normalmente diminui o valor da aposentadoria quanto menor for sua idade e tempo de contribuição.

Para você ter ideia, se você é homem, contribuiu por 35 anos e tem hoje 55 anos de idade, o fator previdenciário vai morder 25% da sua aposentadoria!

Relembrando: essas regras são válidas para quem completou o tempo de contribuição (35/30 anos) antes da Reforma da Previdência entrar em vigor (13/11/2019).

Caso você tenha completado o tempo de contribuição 35/30 depois da Reforma, leia o tópico 3.

Qual o valor da Aposentadoria por Tempo de Contribuição antes da Reforma?

O valor desta aposentadoria vai ser a média dos 80% maiores salários de contribuição desde 07/1994 até o mês anterior ao seu pedido de aposentadoria.

Esta média sofre defasagem devido à correção monetária histórica. Então quem contribuiu sobre o teto do INSS toda a vida, vai ter uma média inferior ao teto do INSS hoje (em torno de 92% do teto).

Se o teto de 2020 é R$ 6.101,06, e você contribuiu sempre com o teto da previdência, sua média desde 1994 deve ser próximo de R$ 5.610,57. Quase R$ 500,00 a menos que o teto de verdade.

Depois de calculada a média das contribuições, é aplicado o fator previdenciário. Na maioria dos casos, o fator previdenciário vai diminuir o valor da aposentadoria. Quanto mais novo e menos tempo de contribuição você tiver, pior tende a ser sua aposentadoria.

Além disso, se for um homem com 55 anos de idade e 35 anos de contribuição, o valor aproximado da aposentadoria vai ser R$ 4.030. Então mesmo contribuindo sempre com o teto, o valor da aposentadoria integral pode ser R$1.800 abaixo do teto. Ou ainda pior que isso.

Aposentadoria por Tempo de Contribuição depois da Reforma da Previdência

Como te disse antes, a Reforma acabou com a Aposentadoria por Tempo de Contribuição.

Aposentadoria por tempo de serviço

Para quem estava perto de se aposentar com ela, vai poder entrar em algumas das 3 regras de transição criadas pela Reforma, além de poder se aposentar pela Aposentadoria por Pontos, que vou explicar no ponto seguinte.

1ª Regra de Transição | Idade Progressiva

É destinada para aqueles que já contribuíram para o INSS antes da Reforma mas ainda faltam mais de dois anos para se aposentar. Você vai precisar cumprir os seguintes requisitos:

Homens

  • 35 anos de contribuição;
  • 61 anos de idade +6 meses por ano, a partir de 2020, até atingir 65 anos, lá em 2027.

Mulheres

  • 30 anos de contribuição;
  • 56 anos de idade +6 meses por ano, a partir de 2020, até atingir 62 anos, lá em 2031.

Regra de cálculo

O cálculo dessa Regra de Transição é feito da seguinte maneira:

  • será feita a média de todos os seus salários desde julho de 1994 ou de quando você começou a contribuir;
  • você vai receber 60% dessa média + 2% ao ano acima 20 anos de tempo de contribuição, para os homens, ou acima de 15 anos de tempo de contribuição para as mulheres, respeitando o limite máximo de 100%.

Imagine a situação de Maria Clara, 54 anos de idade, 27 anos de tempo de contribuição em 2019.

Com essa Regra de Transição, ela vai conseguir se aposentar somente em 2023, com 58 anos de idade (lembrar do aumento progressivo da idade de 6 meses por ano) e 31 anos de tempo de contribuição.

Supondo que a média de todos os seus salários foi de R$ 5.000,00. Ela vai receber 60% + 32% (2% x 16 anos acima de 15 anos de contribuição) = 92% de R$ 5.000,00. Isso significa que Maria Clara vai receber R$ 4.600,00 de aposentadoria nessa Regra de Transição.

2ª Regra de Transição | Pedágio 50%

É destinada para quem falta menos de dois anos para se aposentar quando entrou em vigor a reforma. Você vai precisar cumprir os seguintes requisitos para entrar nessa Regra de Transição:

Homens

  • 33 anos de contribuição até a vigência da Reforma;
  • cumprir um período adicional correspondente a 50% do tempo que, na data de entrada em vigor da reforma, faltaria para atingir 35 anos de contribuição

Mulheres

  • 28 anos de contribuição até a vigência da Reforma;
  • cumprir um período adicional correspondente a 50% do tempo que, na data de entrada em vigor da reforma, faltaria para atingir 30 anos de contribuição.

Por exemplo, imagine que você precisava de 2 anos para conseguir se aposentar até que veio a Reforma. Você vai precisar cumprir esses 2 anos + 1 ano de pedágio (50% de pedágio de 2 anos equivale a 1 ano).

Regra de cálculo

Ela é feita da seguinte forma:

  • será feita a média de todos os seus salários desde julho de 1994 ou de quando você começou a contribuir;
  • você multiplica esse valor da média com o fator previdenciário.

3ª Regra de Transição | Pedágio 100%

Essa regra é opcional e vale tanto para quem contribuiu para o INSS quanto para os servidores públicos. Tem seus prós e contras, como você vai ver. 

Para ter direito à ela, é necessário:

Homens

  • 35 anos de tempo de contribuição;
  • 60 anos de idade
  • cumprir o período adicional correspondente ao tempo que, na data de entrada em vigor da reforma, faltaria para atingir 35 anos de contribuição.

Mulheres

  • 30 anos de tempo de contribuição;
  • 57 anos de idade;
  • cumprir o período adicional correspondente ao tempo que, na data de entrada em vigor da reforma, faltaria para atingir 30 anos de contribuição.

Ou seja, se faltavam 3 anos para eu me aposentar até a vigência da Reforma, vou precisar contribuir esses 3 anos + 3 anos, totalizando 6 anos para eu conseguir me aposentar, caso eu opte por essa Regra de Transição. 

Esse é o ponto negativo dessa regra. 

Regra de cálculo

O cálculo desta Regra de Transição é feita assim:

  • será feita a média de todos os seus salários desde julho de 1994 ou de quando você começou a contribuir;
  • você receberá exatamente o valor desta média, sem nenhum redutor.

Esse é o ponto positivo dessa regra, você não vai ter nenhum redutor no valor de sua aposentadoria.

Aposentadoria por Pontos Progressiva

  • Tempo de contribuição: 30 anos mulher e 35 anos homem.
  • Fator previdenciário opcional.
  • Sem idade mínima.
  • Regra dos pontos: começou com 85/95 em 2015. Foi 86/96 em 2019 e em 2020 passou para 87/97.

Esta era uma das melhores aposentadorias do Brasil. Quando a lei dela foi criada e 2015, quase nenhum especialista em direito previdenciário acreditou. Ela realmente é boa e faz o valor da sua aposentadoria ser muito maior.

A aposentadoria por pontos foi criada em 2015, como uma alternativa mais vantajosa da aposentadoria por tempo de contribuição, e ela é exatamente isso.

Ela permite você não usar o fator previdenciário.

A regra é simples: a soma do tempo de contribuição e da idade do segurado deve resultar em 86 para as mulheres e 96 para os homens.

A Reforma criou aumento progressivo no número de pontos para ambos os sexos até atingir o limite de 105 pontos para os homens e 100 pontos para as mulheres.  

Esse aumento vai ser de 1 ponto por ano, para os homens e mulheres, a partir de 01/01/2020.

Atenção: se você reuniu 96/86 pontos até a vigência da Reforma (13/11/2019) não vai sofrer as consequências desse aumento progressivo dos pontos, pois já possui direito a se aposentar. Essas regras do acréscimo de pontos valem para quem não reuniu 96/86 pontos até a Reforma da Previdência entrar em vigor.

Quantidade de pontos para homensQuantidade de pontos para mulheres
20199686
20209787
20219888
20229989
202310090
202410191
202510292
202610393
202710494
2028105 (limite)95
202910596
203010597
203110598
203210599
2033105100 (limite)
2034105100
105100

Os requisitos de contribuição continua o mesmo: 35 anos de contribuição para eles e 30 anos de contribuição para elas.

Por exemplo, imagine a situação de Regiane que possui 84 pontos (54 anos de idade e 30 anos de tempo de contribuição) em 2019. Ela ainda não pode se aposentar por pontos.

Observando a tabela, ela só vai conseguir se aposentar em 2021, quando vai atingir 88 pontos (o mínimo para se aposentar naquele ano). Agora se Regiane tivesse 86 pontos em 2019, ela já poderia se aposentar normalmente.

Qual o valor da aposentadoria por pontos?

Para quem reuniu os pontos até a vigência da Reforma

Cálculo da Regra 86/96 aposentadoria homem e mulher.
Fonte: BxBlue

Igual à Aposentadoria por Tempo de Contribuição Integral, o valor da aposentadoria vai ser a média dos 80% maiores salários de contribuição desde 07/1994 até o mês anterior ao seu pedido de aposentadoria.

Mas neste caso, não há fator previdenciário se ele for prejudicial para sua aposentadoria.

Esta média sofre defasagem devido à correção monetária histórica. Então quem contribuiu sobre o teto do INSS toda a vida, vai ter uma média inferior ao teto do INSS hoje (em torno de 94% do teto).Depois de calculada a média das contribuições, é aplicado o fator previdenciário somente se ele for positivo. Isso é uma exceção, mas em alguns casos raros o fator previdenciário pode aumentar sua aposentadoria.

Para quem reuniu os pontos necessários após a Reforma

A Reforma da Previdência foi dura e mudou o cálculo do valor de todas as aposentadorias.

Para quem se aposentar depois da Reforma, o cálculo será feito da seguinte forma:

  • será feita a média de todos os seus salários desde julho de 1994 ou de quando você começou a contribuir;
  • você vai receber 60% dessa média + 2% ao ano acima 20 anos de tempo de contribuição, para os homens, ou acima de 15 anos de tempo de contribuição para as mulheres, respeitando o limite máximo de 100%.

Para te explicar melhor: imagine a situação de Renan que contribuiu 35 anos para o INSS, com uma média de todos os salários de R$ 3.000,00.

Para o cálculo, pegamos esse valor e aplicamos 60% + 30% (2% x 15 anos acima de 20 anos de contribuição ) = 90%. Ou seja, Renan vai receber 90% de R$ 3.000,00 = R$ 2.700,00

Aposentadoria Proporcional

  • Aposentadoria extinta em 1998, mas algumas pessoas ainda tem direito; 
  • Tempo de contribuição: 25 anos mulher e 30 anos homem + tempo de pedágio (regra de transição);
  • Com Fator Previdenciário;
  • Com alíquota proporcional, que diminui a aposentadoria; 
  • Idade mínima: 48 anos mulher e 53 anos homem;
  • Carência de 180 meses.

Este é um benefício muito raro hoje e que foi extinto em 1998.

Na aposentadoria proporcional em 1998, os homens precisavam de 30 anos de contribuição e as mulheres de 25, ou seja, 5 anos a menos do que é necessário para a aposentadoria comum.

Esse benefício foi extinto em 16 de dezembro de 1998, mas quem já contribuía até esta data ainda pode usufruir da aposentadoria proporcional usando a regra de transição.

Nesses casos existe um requisito de idade mínima: 48 anos para as mulheres e 53 anos para os homens,.

O valor da aposentadoria também sobre alterações. Além de aplicar o fator previdenciário, a base de cálculo também sofre uma redução: de 70% do salário de benefício.

Para cada ano de trabalho além do necessário para se aposentar, a base de cálculo tem mais 5% acrescidos, até o limite de 95%. Por causa dessas condições, geralmente esse benefício não traz muitas vantagens para o segurado.

Dessa forma, é importante contar com apoio especializado de um advogado para identificar as regras de aposentadoria que podem ser aplicadas ao seu caso e montar um planejamento previdenciário, identificando o melhor benefício e a melhor época para fazer o requerimento.

Atenção: a Aposentadoria Proporcional não sofreu mudanças com a Reforma da Previdência, pois quem já reuniu os requisitos para ela tem direito adquirido.

Regra transitória aposentadoria proporcional

A regra transitória da aposentadoria proporcional por tempo de contribuição funciona da seguinte forma: quem já contribuía para a previdência social na época em que mudaram as regras dessa aposentadoria, em 1998, precisará trabalhar 40% do tempo a mais do que faltava para obter o benefício.

Parece complicado, mas não é. Se Joaquim tinha 25 anos de contribuição ao INSS em 1998 (quando a lei mudou), ele ainda precisaria trabalhar mais 5 anos para ter direito ao benefício da aposentadoria proporcional.

Em cima desses 5 anos que faltava, a regra de transição exige o cumprimento de um pedágio. Um tempo extra porque a lei mudou.

O pedágio é 40% do tempo que faltava para a aposentadoria proporcional e 1998. Para o Joaquim isso significa mais 40% dos 5 anos que faltava para a aposentadoria proporcional, o que dá 2 anos a mais.

Assim, para conseguir a aposentadoria proporcional com a regra de transição, Joaquim vai precisar de:

  • Mínimo de 53 anos de idade.
  • Mais 5 anos de contribuição (porque ele já tinha 25 em 1998)
  • Mais 2 anos de contribuição por causa do pedágio (regra de transição que apareceu em 1998).
  • Um total de 32 anos de tempo de contribuição e 53 anos de idade.

Qual o valor da aposentadoria proporcional?

Esta aposentadoria é uma das piores que existem e leva pro chão o valor da aposentadoria.

A aposentadoria proporcional vale a pena para quem vai se aposentar de qualquer forma pelo salário mínimo, porque a aposentadoria nunca pode ser menor que o valor do salário mínimo.

Nesta aposentadoria, é calculado:

  • A média das 80% maiores contribuições desde 07/1994.
  • Aplica-se o fator previdenciário. Quase sempre reduz muito o valor da aposentadoria
  • Aplica-se a alíquota da aposentadoria proporcional. Que pode reduzir em mais 30% o valor da aposentadoria.

Para alguém que sempre contribuiu para o teto, isso significa que a aposentadoria dele pode ser de menos da metade do teto por conta de todos os redutores que a aposentadoria proporcional trás para o benefício.

Antes de escolher esta aposentadoria, é preciso muita cautela e analisar se não existem formas melhores de se aposentar.

Ela vale a pena para 1 em cada 1.000 casos para quem contribuiu acima do salário mínimo.

Valor mínimo e máximo da aposentadoria por tempo de contribuição

O valor mínimo e máximo da aposentadoria muda todo ano, conforme reajuste do INSS.

Em 2019:

  1. O valor mínimo é R$ 1.045, um salário mínimo.
  2. O valor máximo é R$ 6.101, o equivalente a 5,85 salários mínimos.ele não pode ser maior do que o teto definido anualmente pelo INSS — R$ 6.101, em 2020.

Então nenhuma aposentadoria do INSS pode ser menor que o mínimo e nem maior que o máximo. Apesar de ser extremamente raro uma aposentadoria que atinja o teto do INSS.Vale dizer que o valor mínimo e máximo de aposentadoria não mudou com a Reforma.

Fator Previdenciário, uma mordida na sua aposentadoria

O fator previdenciário é um grande vilão da maioria das aposentadorias.

Ele foi criado em 1999 com o objetivo de permitir as pessoas se aposentarem mais cedo, contudo diminuindo o valor a ser recebido. Quanto mais cedo você se aposentar menor será sua aposentadoria. Ele leva em consideração 3 variáveis:

  1. Expectativa de vida. Quanto maior, pior o fator previdenciário.
  2. Idade. Quanto maior, melhor o fator previdenciário.
  3. Tempo de contribuição. Quanto maior, melhor o fator previdenciário.

Quanto maior a idade e o tempo de contribuição, melhor será seu fator previdenciário. Mas ao mesmo tempo, todo ano a expectativa de vida no Brasil cresce, piorando a fórmula do fator previdenciário.

Em alguns casos raros o fator previdenciário pode ser maior que 1 e aumentar o valor da sua aposentadoria.

Para o homem ter um fator previdenciário positivo ele precisa ter aproximadamente 40 anos de tempo de contribuição e 62 anos de idade. Neste caso, ele poderia ter se aposentado muito antes pela aposentadoria por tempo de contribuição com pontos.

Por isso, quase nunca vejo um fator previdenciário positivo nas aposentadorias.

Com a Reforma, o fator previdenciário foi praticamente extinto. Digo praticamente pois somente uma Regra de Transição utiliza ela no cálculo de benefício: a do Pedágio de 50%.

Contudo, o fator pode incidir se você reuniu os requisitos para se aposentar antes da Reforma, então fique atento ao seu caso.

Documentos que você precisa antes de ir ao INSS

Ter a documentação correta vai evitar que você perca tempo ou mesmo sua aposentadoria no INSS.

Quando você não leva a documentação, o INSS pode alegar justamente isso para negar seu benefício e não considerar todos os períodos que você tem direito.

A Justiça tem diversos entendimentos que ele está certo de fazer isso. Isso pode significar que você vai ter que entrar no INSS de novo e pedir tudo outra vez, sem direito aos atrasados. (valor que você recebe desde a data que você pediu a aposentadoria até a data que o INSS termina de analisar seu pedido e concede sua aposentadoria).

Não importa qual aposentadoria você tem direito, alguns documentos você vai sempre precisar apresentar ao INSS.

Documentos que você precisa levar ao INSS para poder se aposentar.

Então, sempre que for requerer um benefício no INSS tenha em mãos::

  1. RG.
  2. CPF.
  3. Comprovante de residência.
  4. A carteira de trabalho – se houver mais de uma, você deve levar todas;
  5. PIS/PASEP ou NIT (Número de Identificação do Trabalhador, composto por 11 números) – caso você não saiba o seu, é possível solicitar on-line, por telefone ou em uma agência da Previdência Social.
  6. Extrato do CNIS.

Este é o básico e você precisa sempre. Mas se você estiver em algumas das situações abaixo, você vai precisar de mais documentos:

Contribuiu em GPS e autônomo

  • Carnês de contribuição, guia da previdência social (GPS).
  • Microfichas de recolhimento que podem ser retiradas no INSS, quando você não tiver a GPS.

Realizou contribuição em atraso

  • Recibo de prestação de serviço. Pode ser qualquer um, desde que compreenda o período em que o segurado deseja o reconhecimento da atividade.
  • Imposto de Renda, para comprovar a renda da profissão.
  • Inscrição de profissão na prefeitura.
  • Ou qualquer outro documento que indique a profissão desenvolvida.

Períodos com insalubridade ou periculosidade

  • PPP e Laudo técnico.
  • Formulários antigos, como DSS-8030.
  • Prova emprestada.

Tempo de serviço militar

  • Certificado de Reservista ou Certidão da Junta Militar

Período trabalhado em regime próprio

  • Certidão de Tempo de Contribuição emitida pelo órgão competente do regime próprio.

Trabalho fora do país

  • Para reconhecimento deste período trabalhado no exterior, é necessário preencher um formulário para Acordos Internacionais (este documento está disponível no site da Previdência) que será analisado pelo próprio INSS;
  • Documentos que comprovem a atividade realizada no exterior, como: contrato de trabalho, holerites, ficha de registro de empregados, entre outros.

Períodos como empregado sem registro em Carteira (CTPS)

  • Carteira Profissional ou Carteira de Trabalho.
  • Cópia original ou autenticada da Ficha de Registros.
  • Contrato Individual de Trabalho.
  • Termo de Rescisão Contratual.
  • Comprovante de recebimento de FGTS
  • Prova testemunhal.
  • Outros documentos que podem comprovar o exercício da atividade junto à empresa, conforme artigo 10 da IN 77.

Período rural

  • Contrato de arrendamento, parceria ou comodato rural;
  • Declaração do Sindicato dos Trabalhadores Rurais;
  • Registro de imóvel rural;
  • Comprovante de cadastro do INCRA;
  • Bloco de notas do produtor rural;
  • Notas fiscais de entrada de mercadorias;
  • Documentos fiscais relativos a entrega de produção rural à cooperativa agrícola com indicação do segurado como vendedor ou consignante;
  • Atestado de profissão do prontuário de identidade, com identificação da sua profissão ou de seus pais como lavrador ou agricultor;
  • Certidão de nascimento dos seus irmãos, que nasceram no meio rural, com identificação da profissão de seus pais como lavrador ou agricultor;
  • Certidão de casamento com identificação da sua profissão como lavrador, se você casou ainda no meio rural;
  • Histórico escolar do período em que estudou na área rural, com indicação da profissão de seus pais como lavrador ou agricultor;
  • Certificado de reservista, com identificação da sua profissão ou de seus pais como lavrador ou agricultor.
  • Outros documentos que mencionam a sua profissão ou a dos pais como lavrador/agricultor.

Esses são os documentos básicos para aposentadoria por tempo de contribuição que você vai precisar para as situações mais comuns que você pode enfrentar no INSS.

Os documentos que você precisa levar ao INSS para solicitar os benefícios e para comprovar o tempo de trabalho continuam os mesmos com a Reforma.

A hora ideal para se aposentar

A resposta que você não quer ouvir é: depende.

Por isso, vou te dar informações e dicas especializadas para você tomar uma boa decisão e adotar estratégias que vão garantir o seu direito à aposentadoria.

Eu sempre considero três fatores para analisar o momento de se aposentar:

  1. O cálculo da aposentadoria hoje (ver se você entra na regra de cálculo da Reforma ou não)
  2. Análise se existe outro benefício muito mais vantajoso daqui alguns meses
  3. Condições pessoas de quem quer se aposentar

E é exatamente isso que você precisa ter em mente antes de se aposentar para tomar uma decisão consciente que você não se arrependa depois.

A resposta que você não quer ouvir é: depende.

Por isso, vou te dar informações e dicas especializadas para você tomar uma boa decisão e adotar estratégias que vão garantir o seu direito à aposentadoria.

Eu sempre considero três fatores para analisar o momento de se aposentar:

  1. O cálculo da aposentadoria hoje (ver se você entra na regra de cálculo da Reforma ou não)
  2. Análise se existe outro benefício muito mais vantajoso daqui alguns meses
  3. Condições pessoas de quem quer se aposentar

E é exatamente isso que você precisa ter em mente antes de se aposentar para tomar uma decisão consciente que você não se arrependa depois.

Meu conselho é que você descubra qual seria sua aposentadoria se você fosse pedisse ela hoje e considere alguns fatores:

Antes de pedir sua aposentadoria considere alguns fatores: contribuições, requisitos, cálculos e valores.
  1. Contribuições: qual é a média das minhas 80% maiores contribuições (ou a média de 100% contribuições, se eu me aposentar depois da Reforma)?
  2. Antes da Reforma: qual é o meu fator previdenciário (se reúne os requisitos para me aposentar antes da Reforma)?
  3. Cálculos: se vou entrar na regra de cálculo de antes ou depois da Reforma?
  4. Quanto vou receber: qual seria o valor da minha aposentadoria?

Com isso, você consegue saber se o valor da sua aposentadoria está muito distante da média das suas contribuições.

Se esses valores forem muito próximos, menos de 5% de diferença, a resposta quase sempre é: aposente-se o quanto antes.

Se a diferença entre a média das suas contribuições e sua aposentadoria for muito grande, avalie:

  1. Eu vou completar a regra dos pontos em breve?
  2. Eu vou completar a idade para Aposentadoria por Idade em breve?
  3. Eu tenho direito a alguma aposentadoria diferenciada, como Aposentadoria Especial, por Deficiência ou Invalidez?

Se a resposta para alguma dessas perguntas for sim, normalmente o mais indicado é esperar mais alguns meses (ou anos) para se aposentar.

Tenha em mente que você vai ter essa aposentadoria para o resto da vida, mesmo depois que você parar de trabalhar.

E eu digo isso porque, na minha experiência, a maior parte dos brasileiros se aposentam, continuam trabalhando e acabam tratando a aposentadoria apenas como um complemento de renda. Mas pode chegar um dia em que você não consiga ou não possa mais trabalhar e a aposentadoria pode ser sua única renda.

Direito adquirido da aposentadoria

Importante te explicar que todas as regras válidas antes da Reforma da Previdência aplicam-se aos trabalhadores que já tem direito adquirido desse tipo de aposentadoria.

Isto significa que eles já preenchiam os requisitos de Aposentadoria por Tempo de Contribuição antes da entrada em vigor da reforma, ok?

consulta-aposentadoria-ingracio

Conclusão

Pronto! Agora você já que você já sabe como funciona a aposentadoria por tempo de contribuição e todos os seus tipos.

Antes de se aposentar, preste muita atenção:

  1. Na média dos 80% ou 100% maiores salários de contribuição.
  2. Se você vai ter fator previdenciário.
  3. Se você está perto de ter outra aposentadoria muito mais vantajosa.

Está preparado para pedir sua aposentadoria no INSS? Dê uma olhadinha como funciona o processo de aposentadoria.Se você gostou deste conteúdo e quer saber mais sobre o assunto, aproveite para descobrir se vale mais a pena se aposentar por idade ou por tempo de contribuição!

Para ficar por dentro de todas as mudanças com a Reforma da Previdência, leia:

Agora que você está craque na Aposentadoria por Tempo de Contribuição e compartilhe esse conteúdo com outras pessoas que precisam conhecer essas informações. =)

E aproveite para assinar nossa Newsletter, com ela você vai receber informações atualizadas e exclusivas em primeira mão! 

Rafael Ingrácio Beltrão

OAB/PR 94.489
Especialista em Direito Previdenciário, sócio do Ingrácio Advocacia e fundador do Cálculo Jurídico. Ele adora tomar um café no fim da tarde.