A cada 48 segundos uma pessoa sofre acidente de trabalho aqui no Brasil. E hoje neste post você vai conferir as mudanças no auxílio acidente em 2020.

Preparei um guia completo do auxílio acidente. Continua me acompanhando que você vai ver tudo sobre:

  • O que é o Auxílio Acidente?
  • Quem tem direito ao auxílio acidente?
  • Mudanças do auxílio acidente em 2020
  • Valor do benefício do auxílio acidente
  • Hipóteses de cessação do benefício
  • Posso acumular o auxílio acidente com outros benefícios previdenciários?
  • Diferença entre Auxílio Doença, Auxílio Doença Acidentário e Auxílio Acidente
  • Como funciona o procedimento de concessão do benefício?
  • Documentos importantes para ter o seu Auxílio Acidente deferido no INSS
  • O que é o Auxílio Acidente?

    O Auxílio Acidente é um benefício previdenciário indenizatório do INSS devido aos segurados que sofrem qualquer tipo de acidente que resultam em sequelas que diminuam a sua capacidade para o trabalho.

    Observando que essas sequelas devem ser permanentes, há um prejuízo na vida profissional do trabalhador.

    A lei não estabelece um grau mínimo de redução na capacidade de trabalho do segurado para ter direito ao benefício. A regra é simples, se há uma redução permanente, você tem direito.

    Por exemplo, se uma pessoa é serralheira e tem um de seus braços cortados por acidente de trabalho.

    Foi diminuída a capacidade de trabalho dela, porque ela não tem mais um dos braços.

    Provavelmente ela será readaptada em outra função dentro da empresa, porque os serralheiros, em regra, precisam das duas mãos para o trabalho.

    Nesse caso, essa pessoa tem direito a uma indenização mensal pelo INSS: o que conhecemos como Auxílio Acidente.

    Cabe dizer que você continua recebendo seu salário normalmente junto com esse auxílio, pois ele tem natureza de indenização.

    Em tese, esse benefício é vitalício, possuindo 3 hipóteses de cessação, conforme vou falar mais para a frente.

    Quem tem direito ao auxílio acidente?

    Primeiro preciso te explicar que somente os seguintes tipos de segurados têm direito a esse benefício:

    Isso quer dizer que os contribuintes individuais e os facultativos não tem direito ao Auxílio Acidente.

    Para ter acesso a esse benefício, você precisa cumprir o seguintes requisitos:

    • qualidade de segurado (estar contribuindo para o INSS ou estar no período de graça);
    • ter sofrido um acidente ou ter adquirido uma doença de qualquer natureza, sendo eles relacionados ao trabalho ou não;
    • redução parcial e permanente da capacidade para o trabalho;
    • a relação entre o acidente sofrido e a redução da capacidade laboral, o chamado nexo causal.

    Tenho uma boa notícia para você: para esse benefício não é necessário cumprir um período de carência, ou seja, você não precisa ter um tempo mínimo de recolhimento previdenciário.

    Por exemplo, se você começar sua vida profissional hoje e amanhã você sofrer um acidente que reduz permanentemente sua capacidade de trabalho, você terá direito ao Auxílio Acidente.

    O nexo causal entre o acidente e a redução da capacidade é comprovada através de um perito do INSS na hora da perícia médica.

    Fora os acidentes, as doenças adquiridas ao longo do tempo com o trabalho também dão direito ao auxílio.

    A Lesão por Esforços Repetitivos (LER) é um exemplo clássico de doença do trabalho.

    Como é o caso da Verônica que trabalhava em uma fábrica de carros.

    Ela faz os mesmos esforços repetidos todos os dias, podendo adquirir uma tendinite.

    Ou seja, essa tendinite, que foi adquirida no trabalho, pode reduzir a capacidade de trabalho dela.

    Vou te dar outro exemplo para você entender melhor os requisitos:

    Imagine a situação de Lucas, um caminhoneiro da empresa privada X.

    Certo dia ele estava dirigindo normalmente até que ele se envolveu em um acidente que o deixou paraplégico. 

    Ele terá direito ao Auxílio Acidente porque:

    • tem qualidade de segurado, porque é um empregado da empresa privada X, então ele é segurado do INSS;
    • ele sofreu um acidente de trabalho;
    • houve uma redução parcial (porque ele pode ser readaptado em outra função na empresa) e permanente (ele não pode ter suas pernas “de volta”);
    • há relação entre o acidente e a redução da capacidade de trabalho de Lucas, uma vez que foi esse acidente que o deixou paraplégico.

    Ficou mais fácil de entender, né?

    Mudanças do auxílio acidente em 2020

    Agora você vai entender quais foram as mudanças que aconteceram 2020!

    A partir da Medida Provisória 905, do fim de 2019, ocorreram 4 grandes mudanças para o Auxílio Acidente, e já te adianto que elas são muito prejudiciais a você! 

    Atualização importante: a Medida Provisória (MP) citada acima não foi transformada em lei. Assim, as regras delas são válidas para os fatos geradores (acidentes) ocorridos entre 12/11/2019 e 19/04/2020, data que essa MP esteve em vigor.

    Nesse período, ocorreram as seguintes mudanças:

    • mudança no cálculo do benefício;
    • mais uma possibilidade de cancelamento do benefício;
    • somente as sequelas previstas em lista elaborada pelo governo podem dar direito ao benefício;
    • acidente ocorrido entre a casa e o trabalho do segurado, e vice versa, não é mais considerado acidente de trabalho por equiparação.

    Vou explicar cada uma delas separadamente para você.

    Mudança no cálculo do benefício

    Eu vou te explicar mais para frente sobre o cálculo do Auxílio Acidente, mas já te adianto que essa Medida Provisória alterou, para pior, o valor do benefício.

    Antes dessa lei, o valor do Auxílio era 50% do valor do seu Salário de Benefício (SB). O cálculo do SB leva em conta a média dos seus 80% maiores salários de contribuição desde julho de 1994.

    Com essa MP, o valor passa a ser 50% do valor que você teria direito se fosse aposentado por invalidez na hora do acidente.

    Para você entender melhor: antes dessa norma, se você tivesse R$ 2.500,00 como Salário de Benefício e ocorresse algum acidente que reduzisse sua capacidade para o trabalho, você teria direito a R$ 1.250,00 de benefício.

    Com essa MP, você tem que calcular o valor que você teria direito caso fosse aposentado por invalidez na hora do acidente.

    O cálculo para saber o valor da Aposentadoria por Invalidez é feito dessa forma:

    Para acidentes ocorridos até o dia 12/11/2019

    • é feita a média aritmética dos seus 80% maiores salários de contribuição desde julho de 1994;
    • você recebe 100% do valor dessa média como valor de aposentadoria;
    • o valor do Auxílio Acidente será 50% desse valor.

    Para acidentes ocorridos entre 12/11/2019 e 19/04/2020 (época que a Medida Provisória 905 esteve em vigor)

    • é feita a média aritmética de todos os seus salários de contribuição desde julho de 1994 ou desde quando você começou a contribuir;
    • desse valor, você receberá 60% desta média + 2% ao ano que exceder 20 anos de tempo de contribuição para os homens ou que exceder 15 anos de tempo de contribuição para as mulheres;
    • em casos de acidente do trabalho, o valor da Aposentadoria por Invalidez será 100% do valor de todas as médias do seus salários de contribuição.
    • o valor do Auxílio Acidente será 50% do valor que resultar esse cálculo.

    O cálculo piorou muito, porque antigamente você recebia o valor proporcional ao seus maiores salários de contribuição, e agora com essa nova forma, você recebe proporcional a todos (não só os maiores) os seus salários de contribuição, o que pode reduzir, e muito, o seu benefício.

    Por exemplo, imagine a situação de Joana que teve 17 anos de tempo de contribuição. 

    Ocorreu um acidente (não relacionado com o trabalho) com ela em dezembro de 2019 que deu direito a solicitar o Auxílio Acidente, porque teve sequelas para a vida inteira.

    A média de todos os seus salários de contribuição está no valor de R$ 2.000,00.

    Fazendo o cálculo, ela teria direito a 60% + 4% (2% x 2 anos acima de 15 anos de tempo de contribuição) = 64% de R$ 2.000,00 = R$ 1.280,00 de Aposentadoria por Invalidez.

    Como a lei fala que Joana tem direito a 50% do valor que ela teria direito se aposentando por invalidez, 50% de R$ 1.280,00 = R$ 640,00 de Auxílio Acidente.

    Atenção: esse benefício pode ser inferior ao salário-mínimo, porque ele tem natureza de indenização.

    Agora imagine se o acidente tivesse ocorrido antes do dia 13/11/2019, e que ela tivesse uma média dos 80% maiores salários no valor de R$ 2.200,00 (o valor aqui aumentou porque foram descartados os 20% maiores salários).

    Ela teria direito a 50% de R$ 2.200,00 = R$ 1.100,00 de Auxílio Acidente.

    Viu como a diferença para a Joana antes e depois da Medida Provisória chegou nos absurdos R$ 460,00 por mês?

    Em 20 anos, a Joana perderá mais de R$ 110.400,00, isso é muito dinheiro.

    Fique atento ao próximo tópico onde eu digo como é calculado o benefício para os fatos geradores após a vigência da Medida Provisória.

    Mais uma possibilidade de cancelamento do benefício

    A MP também criou mais uma hipótese do benefício ser cancelado.

    O segurado perderá direito ao Auxílio Acidente se sua sequela for revertida.

    Ou seja, caso sua capacidade de trabalho não esteja mais reduzida, por melhora na sequela, você não terá mais direito ao benefício.

    Assim, você pode ser chamado para uma perícia média de tempos em tempos, para avaliar sua capacidade para o trabalho, o famoso pente-fino.

    Essa inclusão foi bem justa, porque não faz sentido o governo pagar para alguém que está com plenas condições de trabalho.

    Isso já acontece com a Aposentadoria por Invalidez, por exemplo. Se a pessoa não é mais inválida, ela perde direito a aposentadoria.

    Somente as sequelas previstas em lista elaborada pelo governo podem dar direito ao benefício

    A partir da Medida Provisória do fim de 2019 que comentei agora há pouco, você só terá direito ao Auxílio Acidente se sua sequela estiver prevista numa lista elaborada (e atualizada a cada 3 anos) pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, de acordo com critérios técnicos e científicos.

    Provavelmente essa lista de doenças e acidentes poderão ser equiparadas a outras.

    Por exemplo, se na lista estiver a tendinite como uma sequela e a tenossinovite (uma doença bastante parecida com a tendinite) não. 

    Isso não quer dizer que a tenossinovite não é uma moléstia que não dá direito ao Auxílio Acidente.

    Por equiparação das doenças, poderíamos dizer que a tenossinovite dá direito ao benefício.

    Acidente ocorrido entre a casa e o trabalho, e vice versa, não é mais considerado acidente de trabalho por equiparação

    Existem 3 tipos de acidente de trabalho atualmente:

    • acidentes que acontecem dentro do ambiente de trabalho (ou fora dele, enquanto você estiver trabalhando);
    • doenças profissionais e do trabalho, como a Lesão de Esforço Repetitivo;
    • acidentes de trabalho atípicos.

    Quanto a esse último, uma das hipóteses previstas em lei é que o percurso entre a casa e o trabalho do segurado (e vice versa), qualquer que seja o meio de transporte (inclusive carro próprio da pessoa) é equiparado a acidente de trabalho.

    Mas essa lei mudou isso e agora o percurso entre o trabalho e a casa, e vice versa, não é mais considerado acidente de trabalho.

    Isso reflete no cálculo do benefício, uma vez que o valor do Auxílio Acidente agora é feito com base no cálculo da Aposentadoria por Invalidez. 

    Como eu te disse antes, se a pessoa sofre um acidente de trabalho, ela terá direito a 100% do valor do benefício da Aposentadoria, aplicando, nesse valor, 50% para chegarmos ao valor exato do Auxílio.

    Direito Adquirido

    Graças ao direito adquirido, os acidentes/doenças ocorridos até o dia 11/11/2019 (um dia antes dessa Medida Provisória entrar em vigor) observarão as regras feitas de acordo com a lei antiga.

    Se esse for o seu caso, você terá direito a todas as regras antigas, como:

    • a forma de cálculo será a mais vantajosa (50% dos seus Salário de Benefício);
    • o acidente em percurso entre a casa e o trabalho do segurado, e vice versa, será considerado como acidente de trabalho;
    • você não precisa se preocupar se o tipo da sua sequela está na lista da Secretaria Especial da Previdência e Trabalho;
    • o seu benefício não pode ser cancelado se sua capacidade para o trabalho não estiver mais reduzida.

    Isso acontece porque o fato gerador (o acidente) ocorreu quando estava vigente a lei antiga que tinham essas regras mais benéficas.

    Agora se o acidente que fez você diminuir sua capacidade para o trabalho ocorreuentre 12/11/2019 (quando a Medida Provisória entrou em vigor) e 19/04/2020 (fim da vigência da MP) , você estará abarcado por essas regras.

    Boa notícia 

    Como eu te atualizei antes, essa Medida Provisória não foi convertida em lei

    Assim, as regras que ela trouxe só tem validade para os fatos geradores ocorridos entre 12/11/2019 e 19/04/2020.

    Desse modo, a única regra que mudou após o fim dessa MP foi em relação a forma de cálculo do benefício. 

    No próximo tópico vou falar melhor sobre isso.

    Valor do benefício do auxílio acidente

    O cálculo do valor do Auxílio Acidente, como eu expliquei agora há pouco, dependerá de quando ocorreu o fato gerador, ou seja o acidente ou doença, independente se elas ocorreram em conta do trabalho ou não.

    Acidentes (ou doenças profissionais e do trabalho) ocorridos até o dia 11/11/2019

    Nesse caso, o benefício será 50% do valor do seu Salário de Benefício (SB)

    Esse SB é calculado da seguinte forma: é feita a média aritmética dos seus 80% maiores salários de contribuição desde julho de 1994.

    Por exemplo, imagine que ocorreu um acidente no dia 3 de outubro de 2019 que fez reduzir sua capacidade laboral, dando direito a você pedir o Auxílio Acidente.

    Seus 80% maiores salários de contribuição estão no valor de R$ 3.000,00.

    O valor do seu benefício será 50% de R$ 3.000,00, ou seja, R$ 1.500,00.

    Acidentes (ou doenças profissionais e do trabalho) ocorridos entre 12/11/2019 e 19/04/2020 (data que a MP 905/2019 esteve em vigor)

    É uma situação bem específica, porque, como eu expliquei antes, essa MP não foi convertida em lei.

    Porém, ainda restam resquícios das regras dessa norma, porque quem teve o fato gerador entre 12/11/2019 e 19/04/2020 terá que se sujeitar ao que a MP estabeleceu.

    Se o fato gerador do seu benefício for entre o período mencionado acima, o valor do Auxílio Acidente será 50% do valor caso você fosse aposentado por incapacidade permanente (aposentado por invalidez) na hora que ocorreu o acidente/doença.

    A Aposentadoria por Incapacidade Permanente leva em conta:

    • a média de todos os seus salários, a partir de 1994 ou desde quando você começou a contribuir;
    • desse valor, você receberá 60% + 2% ao ano que exceder 20 anos de tempo de contribuição para os homens ou que exceder 15 anos de tempo de contribuição para as mulheres;
    • se você for aposentado por invalidez em decorrência de acidente de trabalho, doença profissional ou doença do trabalho, você terá direito a 100% da média salarial.

    Por exemplo, um homem sofreu um acidente não laboral e possuía 23 anos de tempo de contribuição, com uma média salarial de R$ 2.500,00.

    Ele tem direito a 60% + 6% (2% x 3 anos acima de 20 anos de contribuição) = 66% de R$ 2.500,00 = R$ 1.650,00. Esse é o valor que ele teria direito se fosse aposentado por invalidez na hora do acidente.

    Como o valor do Auxílio Acidente é 50% desse valor, essa pessoa receberia R$ 825,00 de benefício.

    A Medida Provisória foi brutal com os trabalhadores, porque mudou toda a forma de cálculo.

    A parte boa é que a maioria dos benefícios concedidos por Auxílio Acidente estão ligados a um acidente de trabalho, você entraria na exceção do cálculo: o valor da Aposentadoria por Invalidez seria 100% da média de todos os seus salários, aplicando os 50% para chegar no valor do Auxílio.

    No exemplo citado acima, o homem teve R$ 2.500,00 de média de todos (100%) os seus 23 anos de contribuição.

    Como o valor do Auxílio Acidente é 50% desse valor, na hipótese dele ter sofrido acidente de trabalho, a quantia que o homem receberia de benefício seria R$ 1.250,00.

    A parte ruim desse cálculo é que a média leva em conta a média de todos os seus salários de contribuição, inclusive os mais baixos.

    A regra antiga previa que seria feito a média dos seus 80% maiores salários, sendo descartadas os 20% mais baixos.

    Acidentes (ou doenças profissionais e do trabalho) ocorridos a partir do dia 20/04/2020

    Com o fim da Medida Provisória 905/2019 e a instituição de uma nova regra, o cálculo do Auxílio Acidente mudou!

    A partir dos fatos gerados a partir de 20/04/2020, o valor do benefício será de 50% do Salário de Benefício, assim como para os acidentes ocorridos até 11/11/2019.

    Mas aqui tem uma diferença: a Reforma da Previdência mudou o cálculo do Salário de Benefício (SB).

    Esse novo SB agora é calculado com a média aritmética de todos (100%) os seus salários de contribuição desde julho de 1994 ou de quando você começou a contribuir.

    Ou seja, imagina que você trabalha desde 2014 e teve uma doença profissional no dia 25/04/2020.

    Calculando o Salário de Benefício, a média de todos os seus salários desde 2014 (quando você iniciou na vida profissional), ficou no valor de R$ 3.000,00.

    Como o Auxílio Acidente será 50% do SB, você terá um benefício de R$ 1.500,00 por mês.

    Tabela explicativa dos valores de Auxílio Acidente

    Como sei que essas datas e cálculos são complicados, elaborei esta tabela para ficar mais fácil você entender sobre o valor deste benefício:

    Data do fato geradorValor do benefício
    Até 11/11/201950% do Salário de Contribuição (SB). Esse SB é a média dos 80% maiores salários de contribuição desde 07/1994.
    Entre 12/11/2019 e 19/04/202050% do valor caso você fosse aposentado por Incapacidade Permanente Aposentadoria por Incapacidade Permanente (por Invalidez) na hora do fato gerador.
    A partir de 20/04/202050% do Salário de Contribuição (SB). Esse SB é a média dos 100% (todos) salários de contribuição desde 07/1994 ou de quando você começou a contribuir.

    A partir de quando é devido o Auxílio?

    O Auxílio Acidente é devido no dia seguinte do fim do Auxílio Doença.

    Caso você não tenha solicitado Auxílio Doença, o Auxílio Acidente terá como início do benefício a data que você entrou com o requerimento no INSS.

    Hipóteses de cessação do benefício

    Como o Auxílio Acidente é um benefício indenizatório, em tese, ele será vitalício, mas há 3 casos em que ele será cessado:

    • morte do segurado, uma vez que não faz mais sentido ser pago um benefício que é para indenizar o trabalhador que teve sua capacidade de trabalho reduzida;
    • concessão de aposentadoria para o segurado, porque a lei veda expressamente a acumulação entre o Auxílio Acidente e qualquer aposentadoria;
    • se sua capacidade de trabalho não ficar mais reduzida, ou seja, se houve melhora das sequelas. Isso é atestado pelo perito do INSS a partir de perícias feitas de tempos em tempos.
      • Essa hipótese só é válida para os acidentes ocorridos entre 12/11/2019 e 19/04/2020, data em que a Medida Provisória esteve em vigor. Caso seu acidente tenha ocorrido antes ou depois desse período, não se preocupe, seu benefício não pode ser cessado por esse motivo.

    Posso acumular esse auxílio com outros benefícios previdenciários?

    Em regra, o Auxílio Acidente pode ser cumulado com quaisquer outros benefícios do INSS, com exceção de:

    • Auxílio Acidente com Auxílio Doença, quando se tratar da mesma doença ou acidente que deu origem ao Auxílio Acidente;
      • Uma exceção: pode haver acumulação de um Auxílio Acidente com um Auxílio Doença quando não se tratar da mesma doença ou acidente que deu origem ao Auxílio Acidentário. Por exemplo, uma Lesão de Esforço Repetitivo (Auxílio Acidente) com uma tuberculose (Auxílio Doença);
    • Auxílio Acidente com qualquer tipo de aposentadoria;
    • Auxílio Acidente com Auxílio Acidente;

    Isso quer dizer que pode haver acumulação de Auxílio Acidente com Pensão por Morte, Auxílio Acidente com Salário Maternidade, Auxílio Acidente com Auxílio Reclusão, etc.

    Diferença entre Auxílio Doença, Auxílio Doença Acidentário e Auxílio Acidente

    Durante a leitura deste post, você pode ter ficado com uma certa dúvida: será que o Auxílio Doença (ou Auxílio Doença Acidentário) não é a mesma coisa que o Auxílio Acidente?

    Mas te digo rapidamente que esses 3 auxílios são diferentes. Vou te explicar rapidamente cada um para você entender.

    Auxílio Doença Previdenciário 

    Ele é destinado para os segurados que estão afastados há mais de 15 dias do trabalho em razão de alguma doença ou acidente que não tem relação alguma com o trabalho que exercem.

    Esses 15 dias de afastamento não precisam ser seguidos, podendo ser 15 dias em um período de 60 dias.

    Desse modo, eles fazem um requerimento de Auxílio Doença no INSS para provarem que eles estão incapacitados de forma temporária para o trabalho.

    Ou seja, eles não podem trabalhar durante o tempo em que recebem o Auxílio Doença, porque não tem condições para exercer o trabalho em conta da doença ou acidente (não relacionados ao trabalho).

    Posso dar o exemplo do rompimento de um tendão de um segurado que estava jogando futebol com os amigos, por exemplo.

    Auxílio Doença Acidentário

    Esse auxílio possui praticamente as mesmas regras que o Auxílio Doença Previdenciário: é preciso que o segurado esteja afastado há mais de 15 dias de trabalho.

    Mas agora, o motivo dele ficar afastado deve ter origem num acidente de trabalho ou uma doença ocupacional (contraída no ambiente de trabalho).

    Esse acidente ou doença do trabalho deve deixar o segurado temporariamente incapacitado para o trabalho.

    Ou seja, ele também não pode trabalhar durante o recebimento do Auxílio Doença Acidentário.

    Para esse benefício, posso dar o exemplo de alguém que está em um refeitório recém-encerado de sua empresa. Essa pessoa escorregou e caiu, machucando sua coluna.

    O tempo de recuperação dela foi superior a 15 dias, dando direito a um Auxílio Doença Acidentário enquanto durar a sua incapacidade.

    Auxílio Acidente

    Como já disse antes, é concedido quando há lesões (de acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho ou não) permanentes que reduzem a capacidade de trabalho do segurado. 

    O benefício é concedido como forma de indenizar o trabalhador que não tem capacidade total igual aos demais. Posso dizer que o Auxílio Doença (o comum e o acidentário) é um estágio anterior do Auxílio Acidente

    Mas atenção: não é necessário ter sido concedido um Auxílio Doença (seja qual for) para o segurado ter direito ao Auxílio Acidente.

    Falo que é um estágio anterior porque o Auxílio Doença deixa a pessoa afastada por um tempo superior a 15 dias, pois  ela não consegue trabalhar. 

    Dependendo do que a pessoa tem, a sequela pode ser permanente, mas ela pode retornar ao trabalho, porém com uma capacidade reduzida.

    É nesse caso que o Auxílio Acidente entra em campo, para indenizar esse acidente ou doença.

    Como funciona o procedimento de concessão do auxílio acidente?

    É o mesmo procedimento de concessão para os benefícios por incapacidade, como Auxílio Doença, por exemplo.

    Para ficar mais prático para você, eu criei o seguinte passo a passo: 

    1º passo: agendar uma perícia médica através do site Meu INSS, opção “Agendamentos / Requerimentos” e depois “Perícia”. Você vai escolher o local, data e hora disponíveis e depois você confirma.

    2º passo: reunir toda a documentação necessária para comprovar que você teve sua capacidade laboral reduzida. Vou falar melhor sobre isso no próximo tópico.

    3º passo: ir para a perícia médica. Os peritos farão uma entrevista com você, além de exames físicos e outros que eles acharem necessários para eles atestarem se houve uma redução ou perda da capacidade laboral ou não.

    4º passo: verificar no site Meu INSS se o benefício foi deferido ou não.

    Caso seu benefício tenha sido negado, você tem 3 opções:

    • fazer um recurso administrativo;
    • fazer uma ação judicial;
    • ou aceitar a decisão do INSS.

    Nós temos um conteúdo exclusivo sobre o que fazer quando o INSS nega o seu benefício, é muito interessante e vale a pena ler.

    Documentos importantes para ter o seu Auxílio deferido no INSS

    Reuni aqui uma informação valiosa para você ter grandes chances do seu benefício ser concedido pelo INSS.

    Você vai precisar reunir os seguintes documentos:

    • documento de identificação (RG, Carteira de Motorista, etc.);
    • CPF;
    • carteira de trabalho;
    • atestados médicos que comprovem sua redução na capacidade laboral;
    • radiografias, se aplicável ao seu caso;
    • Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), se aplicável ao seu caso;
    • receitas médicas;
    • outros documentos que você achar necessário para comprovar as suas sequelas e sua redução na capacidade para o trabalho.

    Reunindo esses documentos, você tem grandes chances de ter seu Auxílio Acidente concedido.

    Conclusão

    Compartilhei com você esse guia completo sobre Auxílio Acidente, agora você já consegue:

    • saber se tem direito ao benefício;
    • saber quais regras se aplicam a você: as novas ou as velhas;
    • saber como reunir os documentos necessários para tê-lo concedido;
    • saber quanto vai ganhar com ele;
    • saber até quando você terá direito a ele;
    • saber como o requerer;

    O Auxílio Acidente não é muito conhecido para a maioria das pessoas e você pode ter feito uma grande descoberta lendo esse post que pode te beneficiar muito.

    Mas então, sabia que o Auxílio Acidente existia? Não tinha conhecimento que uma Medida Provisória alterou várias regras desse benefício?

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