Não sei se você sabe, mas a Reforma da Previdência mudou as contribuições no INSS.

E isso vale para os trabalhadores da iniciativa privada e para os servidores públicos federais.

As grandes mudanças nos recolhimentos começaram no 01/03/2020, e significa que os segurados e servidores começaram a sentir diferença nos pagamentos desde abril de 2020.

Quer entender melhor como tudo isso aconteceu e o que te afeta?

Então continua aqui comigo, porque agora vou te ensinar tudo sobre as novas contribuições!

Além disso, você vai saber quanto terá que pagar para a Previdência e, desse modo, já consegue ter uma noção das suas despesas mensais.

Nesse post você vai entender tudo sobre:

1. Tabela de contribuição dos trabalhadores da iniciativa privada

Cotribuição do segurado no INSS

As contribuições para os trabalhadores da iniciativa privada vão melhorar, e muito!

Agora, após a Reforma da Previdência, quem ganha menos também contribui menos e quem ganha mais contribui mais. Essa forma de contribuição é muito mais justa, né? 

Obviamente, se você tem um salário alto, tem mais condições de contribuir para o INSS. 

Por outro lado, a pessoa que recebe um salário-mínimo por mês, não tem tanta condição assim, e acaba pagando uma quantidade menor.

Por exemplo, seria injusto uma pessoa que recebe R$ 1.500,00 por mês e a outra R$ 5.000,00 em contribuir com um valor fictício de R$ 300,00. 

Teoricamente, sobraria somente R$ 1.200,00 para a primeira pessoa se manter enquanto a segunda teria R$ 4.700,00 para todo o mês.

Para ficar mais fácil de você entender, vou deixar aqui a tabela das contribuições dos trabalhadores que recolhem para o INSS para o ano de 2022:

Faixa de salárioAlíquota AplicadaAlíquota Efetiva
Até um salário-mínimo (R$ 1.212,00 em 2022) 7,5%7,5%
De R$ 1.212,01 a R$ 2.427,35 9% 7,5% a 8,25%
De R$ 2.427,36 a R$ 3.641,0312%8,25% a 9,5%
De R$ 3.641,04 a R$ 7.087,22 (Teto do INSS em 2022) 14%9,5% a 11,69%

A faixa de salário, como o nome sugere, é o valor do seu salário bruto que você recebe por mês.

Quanto às alíquotas, você não deve se preocupar muito com a alíquota aplicada e sim com a alíquota efetiva, porque é ela que o que vai fazer diferença no valor que você vai contribuir.

Por exemplo, se você recebe R$ 2.400,00 por mês, está na segunda faixa de salário (entre R$ 1.212,01 e R$ 2.427,35).

A alíquota aplicada é de 9% sobre esse valor, mas, no fim, você vai pagar R$ 197,82 de contribuição previdenciária, com uma alíquota efetiva de 8,24%.

É um pouco complicado né? Mas eu prometo que vou te explicar esse cálculo melhor depois, ok? Não se assuste com esses números.

Porque agora eu preciso te mostrar como essas mudanças nas contribuições atingiram os servidores federais

2. Tabela de contribuição do servidor público federal

Recolhimentos do Servidor Público

Para os servidores públicos federais, a alíquota de contribuição para a Previdência Social vai seguir a mesma tabela que eu mostrei antes, mas com uma diferença: o Regime Próprio de Previdência não tem o teto do INSS, mas sim um valor muito superior.

No início, as alíquotas e as faixas de salário seguem os mesmos valores da tabela dos trabalhadores da iniciativa privada, mas depois do teto do INSS, ela vai aumentando.

Elaborei essa tabela para você ficar inteirado sobre o que eu te falei:

Faixa de salárioAlíquota AplicadaAlíquota Efetiva
Até um salário-mínimo (R$ 1.212,00 em 2022) 7,5%7,5%
De R$ 1.212,01 a R$ 2.427,35 9% 7,5% a 8,25%
De R$ 2.427,36 a R$ 3.641,0312%8,25% a 9,5%
De R$ 3.641,04 a R$ 7.087,22 (Teto do INSS em 2022) 14%9,5% a 11,69%
De R$ 7.087,23 a R$ 12.136,7914,5%11,69% a 12,86%
De R$ 12.136,80 a R$ 24.273,5716,5%12,86% a 14,68%
De R$ 24.273,58 a R$ 47.333,4619%14,68% a 16,78%
A partir de R$ 47.333,4722%A partir de 16,79%

Como deu para perceber, a Reforma da Previdência unificou a alíquota junto com os trabalhadores que contribuem para o INSS.

É uma forma de deixar os trabalhadores do Brasil em pé de igualdade quando falamos de contribuição previdenciária, é mais justo.

Por exemplo, um servidor que ganha R$ 15.000,00, valor este muito fora da realidade dos trabalhadores da iniciativa privada, terá uma contribuição superior a R$ 2.100,00.

Relembrando o que eu disse: quem ganha mais, contribui mais, quem ganha menos, contribui menos.

Esse é o lema das contribuições previdenciárias com a Reforma.

3. Como calcular o valor das suas contribuições?

Como fazer o cálculo de contribuições?

Agora vamos para a parte mais difícil: mostrar como funciona o cálculo da contribuição previdenciária com essas novas regras.

Vamos imaginar que você é um trabalhador que contribui para o INSS e recebe R$ 2.700 por mês de salário em 2022.

Para fazer o cálculo corretamente você deve seguir os seguintes passos:

1. Encontrar a faixa de salário que você se encontra

Nesse exemplo, é a terceira faixa (de R$ 2.427,36 a R$ 3.641,03), com alíquota aplicada de 12% e alíquota efetiva entre 8,25% a 9,5%.

2. Tirar a alíquota aplicada do valor da primeira faixa de salário e guardar esse valor

A primeira faixa é de valores de até 1 salário-mínimo (R$ 1.212,00 em 2022). 

Como ainda não estamos nos R$ 2.700,00, aplicamos a alíquota aplicada dessa faixa, que é de 7,5%, ao valor do salário-mínimo. 

7,5% de R$ 1.212,00 = R$ 90,90.

3. Tirar a alíquota aplicada do valor da segunda faixa de salário e guardar esse valor

A segunda faixa é de valores entre R$ 1.212,01 a R$ 2.427,35.

Como ainda não estamos na faixa de salário correspondente ao valor do seu salário, teremos que aplicar parte do valor do seu salário aqui.

Desse modo, aplico a alíquota aplicada (9%) a R$ 1.215,34 (diferença entre o máximo e o mínimo dessa faixa de salário).

9% de R$ 1.215,34 = R$ 109,38.

4. Tirar a alíquota aplicada do valor da terceira faixa de salário e guardar esse valor

A terceira faixa é de valores entre R$ 2.427,36 e R$ 3.641,03.

Opa, agora estamos na faixa de salário que corresponde ao seu salário. Então subtraímos os valores que já foram aplicadas a alíquota das faixas anteriores pelo valor do salário.

Assim: R$ 2.700,00 (valor do seu salário) – R$ 2.427,34 (R$ 1.212,00 aplicados 7,5% e R$ 1.215,34 aplicados 9%) = R$ 272,66.

Desse valor que sobrou, aplicamos a alíquota aplicada dessa faixa de salário e “guardamos esse valor” : 12% de R$ 272,66 = R$ 32,72.

5. Somar os valores que você “guardou” no 2º, 3º e 4º passo

R$ 90,90 + R$ 109,38 + R$ 32,72 = R$ 233,00. 

É esse valor que você vai pagar de contribuição.

Se seu salário for maior, você vai aplicando os mesmos passos para as faixas de salários seguintes.

Para calcular a alíquota efetiva, fazemos o seguinte cálculo: pegamos o valor da sua contribuição dividido pelo valor do seu salário. 

Nesse meu exemplo: R$ 233,00 / R$ 2.700,00 = 0,08629, ou melhor 8,629% de alíquota efetiva.

Só para você entender a alíquota efetiva é a porcentagem que incide de forma direta no seu salário.

Fazendo o cálculo inverso: 8,629% de R$ 2.700,00 (seu salário) = R$ 233,00 de contribuição.

4. Como eram as contribuições do INSS antes da Reforma?

Como eram as contribuições antes da Reforma?

Para você ver a diferença entre as contribuições, vou te explicar como funcionava as alíquotas de contribuição antes de a Reforma e você ver as possíveis diferenças nos valores que você paga a título de contribuições previdenciárias.

Elaborei essa tabela de alíquotas para você entender, de forma fácil, as contribuições antes da Reforma:

Faixa de SalárioAlíquota
Até R$ 1.751,808%
De R$ 1.751,81 a R$ 2.919,729%
De R$ 2.919,73 a R$ 6.101,06 (Teto do INSS em 2020)
ou para servidores públicos federais, qualquer que seja o salário
11%

A alíquota antes da Reforma é a que seria aplicada, de fato, ao valor do salário do segurado.

Por exemplo, se você recebia R$ 2.700,00 de salário (segunda faixa de salário), antes das novas normas em 2020, o valor da sua contribuição previdenciária seria 9% de R$ 2.700,00 = R$ 243,00.

Voltando ao exemplo que te dei no ponto anterior, vamos comparar qual a diferença entre as alíquotas antes e depois da Reforma.

Como eu te ensinei, agora com a Reforma, quem recebe um salário de R$ 2.700,00 tem uma alíquota efetiva de 8,629% e uma contribuição previdenciária de R$ 233,00. 

Nas regras antigas, como visto, você pagaria 243,00. 

A diferença fica em R$ 10,00, muito pouco.

A diferença é mais evidente quando falamos de alguém que recebia muito.

Por exemplo, imagine que um servidor ganhe R$ 15.000,00, com as regras novas, ele tem uma contribuição previdenciária de R$ 2.103,42 com uma alíquota efetiva de 14,0228%. 

Já com as regras antigas, ele pagaria R$ 1.650,00 com uma alíquota de 11% (segundo te mostrei na tabela).

A diferença fica em R$ 453,42 entre as regras novas e antigas, é bastante dinheiro.

Agora você tem a prova que quem recebe mais vai começar a contribuir mais, e quem recebe menos, contribui menos, mesmo que seja um valor pequeno.

Lembrando que: essas contribuições, antes da Reforma, só estavam valendo até o dia 29/02/2020, ok?

5. Valor das contribuições em 2022

Agora que estamos em 2022, com certeza você deve querer saber como ficaram as contribuições deste ano, correto?

Apesar de eu ter te mostrado neste conteúdo os valores atualizados, o Ingrácio tem um conteúdo completo sobre o tema, onde explicamos certinho todas as mudanças.

Conclusão

Com a leitura desse post você já sabe como a Reforma da Previdência mudou a forma de contribuições previdenciárias em 2022 e como isso pode afetar positivamente seu bolso caso seja trabalhador privado.

Além disso, você entendeu como fazer o cálculo das suas contribuições e agora pode organizar suas despesas mensais.

Como eu disse antes, as novas alíquotas começaram a valer a partir de 1° de março de 2020.

Lembrando que para 2022 as alíquotas são outras, conforme mostrei no conteúdo.

Caso tenha interesse em saber mais sobre a contribuição deste ano, clique aqui.

No ano que vem teremos ainda mais mudanças que serão trazidas em 2022, recomendo a leitura desse post: GRU: Como Serão as Novas Contribuições ao INSS em 2022?

Gostou do texto? Então não se esqueça de compartilhar esse conteúdo com seus amigos, conhecidos e familiares. 🙂

Abraço!

ben-hur-cuesta

OAB/PR 92.875
Advogado-Pesquisador em Direito Previdenciário e Mestre em Direito Internacional e Europeu. Apaixonado por Música Popular Brasileira e um bom açaí na tigela.

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